No dia 28 de fevereiro, eu publiquei um post informando os leitores da situação crítica da Alitalia (leia aqui), com a possibilidade de quebra da empresa no fim de março. Hoje, a empresa apresentou seu plano de recuperação que envolve cortes na ordem de USD 1 bilhão na tentativa de competir com as empresas low-cost.

O novo plano foi apresentado cerca de três anos após a Etihad assumir o controle da empresa italiana. A apresentação foi feita no Ministério dos Transportes.

De acordo com o plano, a Alitalia vai introduzir serviços típicos de companhias low-cost em voos com menos de 4 horas de duração, incluindo cobrança por refeições, escolha de assentos etc. Segundo o CEO da companhia, Cramer Ball, tudo permanece como está nos voos de longa duração.

“Os hábitos dos consumidores têm sido influenciados pelo método de vendas das companhias low-cost”, Cramer Ball afirmou após a aprovação do plano ontem à noite. “Medidas radicais e necessárias serão tomadas em toda a empresa a fim de assegurar as operações no longo prazo”. Ele sublinhou que as companhias low-cost detém metade do mercado italiano, a porcentagem mais alta de toda Europa.

Com o plano, há expectativa de lucros em 2019, com o corte de pessoal e de operações, ao mesmo tempo que se espera que a receita aumente em 30% . Cramer disse que quer discutir o corte de pessoal imediatamente com os sindicatos.

A Alitalia também está em negociações com os fornecedores para manter as operações na fase de renegociação das dívidas. Há planos para densificação das aeronaves A319 e A320 (mais assentos, menos espaço) conjuntamente com a redução da frota – 20 aeronaves seriam devolvidas/vendidas.

Além disso, um representante dos bancos credores passará a integrar  o conselho administrativo da Alitalia. Após a aprovação do plano pelos acionistas, a expectativa é que o atual Chairman Luca de Montezemolo deixe a empresa.

A Alitalia é uma empresa que não consegue sair da crise nem com o aporte de verbas da Etihad. Eu pessoalmente acho esse plano extremamente ambicioso, mas aguardemos os desenrolar dessa história. Ao que tudo indica, por enquanto, então, a empresa continuará voando.

Fonte: ABC News