People, está cada vez mais complicado voar, seja em econômica, seja em executiva. As cias aéreas estão implementando mudanças que impactam tanto o serviço oferecido a bordo como a aquisição de status nos seus programas de viagem e milhas para resgate de bilhetes-prêmio.

Em termos de serviços,  última novidade do mal é a tal da tarifa econômica básica das cias aéreas americanas, que serve para competir com as cias aéreas low cost. Na prática, tudo aquilo que está embutido no preço da passagem passa a ser cobrado. Até agora, a tarifa econômica básica significa impossibilidade de cancelar ou alterar passagens aéreas e de escolher previamente assentos, proibição de upgrades, pagamento extra por comida e bebida a bordo e menos milhas acumuladas com essa tarifa.

A United vai restringir ainda mais a tarifa econômica básica: o passageiro só terá direito a levar um único item a bordo como uma bolsa ou mochila (a mala de mão com rodas está excluída e será cobrada à parte), a  bagagem despachada também será paga, e não haverá qualquer acúmulo de milhas no seu programa de milhagem. Ou seja, o preço será o mesmo, mas o passageiro só terá direito ao assento e nada mais. Qualquer extra deverá ser pago à parte, inclusive a bagagem despachada.

A American já anunciou que implementará essa tarifa a partir de 2017 e eu acredito que logo, logo essa péssima novidade chegará ao Brasil, até por que já há conversas na ANAC para implementar essas mudanças em breve.

E mais: essas limitações não estão atingindo somente os passageiros de econômica, não. O pessoal da executiva também está sentindo as mudanças. A última promoção da Lufthansa para executiva que a gente anunciou aqui vinha com uma restrição: a classe tarifária não pontuava nem uma milha sequer em diversos programas da Star Alliance, em outros pontuava 25% ou 50% somente. Isso levava a um quadro em que passageiros da econômica estavam pontuando, mas os da executiva, não!

O mesmo aconteceu com a British Airways e uma tarifa promocional da Qatar. Depois que os blogs ingleses e americanos reclamaram, a British voltou atrás e disse que havia sido um “equívoco” e voltou a pontuar a tal tarifa.

Além disso, as cias aéreas estão “densificando” a cabine econômica, ou seja, acrescentando mais fileiras e assentos. Estão diminuindo o espaço entre os assentos, tirando banheiros para colocar mais fileiras e estreitando os assentos para terem mais passageiros por fileira. Não é à toa que o número de casos de “air rage” (brigas no avião ou “violência aérea” em tradução literal) aumentou muito nos últimos tempos.

Em termos de programas de milhagem, nessa semana, a LATAM anunciou mudanças no Fidelidade para 2017 que vão vincular o status ao gasto com passagens (clique aqui para saber mais). Entretanto, a LATAM não está inovando, mas meramente copiando as práticas das cias americanas.

Já tem algum tempo que a Delta alterou o seu programa de milhagem, exigindo um gasto mínimo para aquisição de status, além das milhas voadas. Além disso, extinguiu a tabela de milhas para resgate em passagens, tornando impossível saber de antemão quantas milhas são necessárias para emitir uma passagem prêmio – o que lamentavelmente foi copiado pelo Smiles. A situação ficou tão dramática que o SkyMiles, o programa de fidelidade da Delta, foi apelidado de SkyPesos e muitos passageiros migraram para o AAdvantage da American Airlines.

Isso não foi suficiente para impedir que a AA seguisse o mesmo caminho a partir de agosto desse ano. Em 2017, para alcançar status, além das milhas voadas, é necessário gastar e gastar muito. Para ser Executive Platinum, além das 100.000 milhas é necessário um gasto mínimo de US$ 12.000 no ano. Isso sem contar que em março de 2016 a AA alterou a tabela de resgates, com aumento de até 40% de milhas necessárias em alguns trechos.

Quem surpreendeu positivamente foi o Smiles, mas a gente desconfia quando a esmola é muita. Ainda estou aguardando para ver se haverá uma “atualização” nas milhas exigidas para resgatar passagens.

Resumindo, é verdade que o preço das passagens aéreas estão mais acessíveis. Entretanto, isso não pode ser interpretado como um lindo gesto de boa vontade das cias aéreas. Paga-se menos por um serviço muito pior. Se você quiser  manter alguns dos benefícios de outrora, você terá que desembolsar dinheiro extra para tê-los. Para outros, você terá que mudar de cabine no avião e pagar muito mais do que antigamente para ter a mesma coisa.