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Forbes: Companhias aéreas mudarão radicalmente nos próximos 5 anos

Uma matéria da Forbes prevê uma mudança radical nas companhias aéreas nos próximos 5 anos. Escrita por Michael Boyd, que trabalha com previsões na área da aviação comercial, a matéria faz uma analogia entre os dinossauros e as companhias aéreas: animais sólidos e aparentemente perenes, foram surpreendidos com uma mudança no meio-ambiente que os levou à extinção.

O autor indica que já há meteoros que irão alterar o cenário para as companhias aéreas, que devem se precaver caso queiram sobreviver. E quais são esses elementos de perturbação?

1 – Companhias de ultra baixo-custo vão entrar no “mercado de oportunidade” doméstico nos EUA

Frontier, Spirit e Allegiant já estão invadindo rotas tradicionalmente operadas pela Delta, United e American. As respostas das 3 legacy carriers americanas, contudo, não mantêm ou constróem  fidelidade à marca. Elas são reativas, mas não inovadoras.

2 – As companhias de utra baixo-custo estão expandindo rapidamente

Hoje, Frontier e Spirit tem uma frota combinada de 177 aeronaves; em cinco anos elas terão 300. A American, Delta e United vão precisar de mais do que uma nova tarifa que retira dos passageiros o direito de pontuar no programa de milhagem, despachar bagagem, os impede de fazer check-in antecipado e os coloca em último lugar na fila do embarque por USD 20 dólares a menos. Alguns passageiros vão preferir a tarifa mais baixa, mas sairão do avião sem gostar da companhia aérea.

3 – Companhias de ultra baixo custo internacionais

Não é só o mercado doméstico que vai sofrer mudanças. A Norwegian está causando uma verdadeira revolução nos voos transatlânticos, com preços baixos, aeronaves novas e wi-fi gratuito. Esses passageiros, por sua vez, procuram preço e não fidelidade. E eles são oriundos justamente das três grandes, que terão que fazer mais do que simplesmente cortar benefícios: aumentar frequências (para que os passageiros se sintam seguros que, caso haja algum problema com seu voo, eles possam ser relocados para outro rapidamente) e revisar seus programas de fidelidade.

4 – Uma nova geração de aeronaves vai cativar os passageiros de cabines premium

O preço da executiva ou primeira classe é de, no mínimo, 4x aquele que se paga na classe econômica. Há uma empresa – Boom Supersonic Technologies – que está desenvolvendo uma aeronave que fará NY – Londres na metade do tempo em que é feito atualmente, pelo mesmo preço que se paga para voar na executiva ou na primeira classe, voando com conforto semelhante. Essas empresas são as “techonology airliners”. A Virgin Atlantic já fez o pedido para uma aeronave, cujo primeiro voo comercial está previsto para 2023. Quem, em sã consciência, vai querer voar 7 horas, podendo voar 3 pelo mesmo preço?

Esses são os 4 pontos levantados pelo autor que irão provocar um sismo no quadro geral da aviação comercial americana.

Eu particularmente acho que nós estamos muito distantes disso. No Brasil, temos um capitalismo de Estado e não um verdadeiro capitalismo concorrencial. As grandes empresas buscam financiamento estatal para se manter, aparelham e fazem lobby nos respectivos órgãos reguladores. Faz-se de tudo para impedir que companhias estrangeiras venham a abalar o status quo obrigando as companhias brasileiras a serem competitivas e provocando mudanças que verdadeiramente beneficiam o consumidor.

Mas há uma coisa no texto que eu também já disse aqui no M&D: as grandes companhias terão que voltar a fidelizar seus clientes já que não conseguem oferecer o que as novas ultra low cost oferecem pelo preço que elas oferecem. Isso quer dizer que, no futuro, elas provavelmente irão melhorar seus programas de fidelidade.

O que vocês pensam sobre isso?

Para ler a matéria completa na Forbes, clique aqui.

 

 

2 Comentários

  1. Daniel

    Prezada Beatriz,

    Posso estar sendo exceção dentre os viajantes, mas um voo mais rápido atende aos viajantes em animal class e aos viajantes de negócios, mas não aqueles que desejam “curtir” a viagem em classe premium…

    Logo, lamentarei uma viagem entre SYD e AUH ser reduzida em seu tempo, não permitindo curtir o Apartment… ou uma viagem entre CDG e DOH ser menor ainda que as 06 horas padrão, mal dando tempo para curtir o bar do A380 Qatar… mas, queira ou não, o que movimenta financeiramente as cias são as classes econômicas e os viajantes de negócios…

    De fato, a chegada de cias low cost de verdade (não estas brasileiras que querem ser low cost na prestação do serviço mas nada low cost nos preços cobrados) tende a mudar o panorama mundial.

    Para quem não se importa de viajar “apertado”, desde que pagando pouco, é incrível pagar 300 dólares entre EUA-Europa.

    E não acho que demorará muito para brasileiros perceberem que valerá à pena voar até BUE, pois de lá sairá uma low cost cobrando até a Europa módicos 200 ou 300 dólares…

    Os tempos mudarão de fato…

    • Beatriz

      Esse nicho do mercado – os viajantes de cabine premium em férias que gosta de ficar dentro do avião curtindo champagne e outros luxos – é muito pequeno em relação a quem quer chegar rápido.
      Por mim, as 12 horas de voo do Brasil para a Europa (ou entre qualquer ponto do globo terrestre) poderiam ser substituídas por 6 horas de voo. Em 6 horas dá para curtir bastante a First de qualquer companhia aérea, inclusive aquelas que têm bar a bordo.
      Quanto à EZE, eu também acho que, dependendo dos preços cobrados pela Norwegian (e contando tbm com as taxas aeroportuárias) é bem possível que muita gente passe a considerar uma conexão na Argentina.

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