A comoção causada pela remoção violenta de um passageiro do voo UA3411 está levando outras pessoas a relatarem seus próprios casos de abuso da United Airlines. O Los Angeles Times publicou a história de Geoff Fearns, um empresário milionário, que semana passada voou do Havaí para Los Angeles a bordo de um avião da empresa.

Segundo a reportagem,  Fearns comprou uma passagem de primeira classe por USD 1.000 e embarcou no aeroporto de Lihue em Kauai. Já embarcado, Fearns estava tomando um suco de laranja oferecido pelos comissários enquanto esperava a decolagem.

Eis que entra um funcionário da United entra no avião e o informa que ele deveria desembarcar, pois tinha ocorrido overbooking. Fearns inicialmente falou que permaneceria no avião. Foi então que o funcionário informou que a empresa precisava do assento pois alguém mais importante havia comprado uma passagem de última hora. O funcionário também falou que a United tem uma lista de prioridades de embarque e esta outra pessoa ocupava uma posição mais alta na lista do que Fearns.

A United havia trocado a aeronave que estava operando a rota por problemas mecânicos e a substituiu por uma aeronave menor, com menos assentos de primeira classe, o que gerou toda a confusão.

Para arrematar o tratamento indefensável, avisaram a Fearns que ele sairia algemado se não concordasse com a troca!

Mas não foi só isso. Depois de ser forçado a sair do avião, Fearns foi colocado em outro voo, na classe econômica, no assento do meio, entre um casal que estava brigando e não queria sentar lado a lado.

Sabem o que ele não recebeu? Um pedido de desculpas e o reembolso. Ninguém da United entrou em contato com ele após o ocorrido. Após consultar seu advogado, Fearns enviou um email para o SAC da empresa requerendo o reembolso do bilhete e USD 25.000 para uma caridade de sua escolha. A United não cedeu e ofereceu o reembolso da diferença do bilhete da primeira classe e a econômica mais um crédito de US 500 para usar na própria United.

Perguntado se voaria de novo com a empresa, Fearns respondeu: “Tá de brincadeira, né?¨.

Ao que tudo indica e lendo os comentários em blogs americanos, essa situação é bastante comum lá. Entretanto, está claro que as pessoas estão muito insatisfeitas com esses privilégios das cias aéreas que nenhuma empresa de outro ramo de prestação de serviços tem. Vocês conseguem imaginar um gerente tirar um hóspede do quarto por que o hotel está cheio? Ou um garçom tirar um prato da mesa e mandar o cliente sair do restaurante porque chegou alguém mais importante que ele?

Espero que essa cultura do abuso, fruto da total desregulamentação da aviação civil americana, não chegue aqui. Pelo menos, eu desconheço situação semelhante no Brasil ou na Europa. Aliás, não me lembro de saber de casos semelhantes em nenhum lugar do mundo.

Vocês conhecem algum caso parecido aqui ou nos EUA?

Para ler o artigo original no Los Angeles Times, clique aqui.