Esse post veio da sugestão de um dos leitores mais ativos aqui no Milhas e Destinos, o Ge. É uma pergunta muito boa para nós nos fazermos hoje: a poupança de milhas vale a pena?

O brasileiro descobriu o mundo das milhas há pouco tempo se compararmos aos EUA, por exemplo. Nos últimos 5 anos, vimos mudanças drásticas nos programas de milhas nacionais, sempre no sentido de dificultar o acúmulo de milhas e a emissão de bilhetes.

O Smiles, que era um ótimo programa há 2 anos atrás, adotou a tabela dinâmica e aumentou brutalmente a quantidade de milhas necessárias para resgate. Além disso, há muitos problemas com as parceiras, com certas cabines e rotas simplesmente cuja disponibilidade simplesmente desapareceu.

A plataforma LATAM Fidelidade/Multiplus também está enlouquecendo os clientes com a inexistência de disponibilidade com as parceiras Oneworld e o desrespeito à tabela de resgate com as parceiras.

O Amigo ainda não se manifestou, mas desconfio que a tabela deles não vai se sustentar por muito tempo. Mais uma vez, é palpite meu baseado na minha experiência.

Mas não somente isso. Alguns programas estrangeiros populares entre os brasileiros também fizeram alterações com o intuito maior de nos prejudicar. Dois exemplos inegáveis disso são o TAP Victoria e, mais recentemente, o Lifemiles.

Para piorar ainda mais a situação, as empresas decidiram que os brasileiros não precisam de aviso prévio: mudam a hora que querem sem aviso (o TAP Victoria não avisou nada; nós blogueiros é que fomos informados por nossos leitores e divulgamos 15 dias antes da mudança), dão um afago duvidoso conhecido popularmente como “cala-boca” (20% sobre o menor saldo, como o Lifemiles, cuja alteração foi imediata) e fica tudo por isso mesmo.

Nos comentários aqui no blog e no blog de colegas, leio com frequência gente planejando viagem com milhas para daqui a dois anos. Esse planejamento envolve a compra e estocagem de milhas por um período razoável de tempo.

Como já comentei aqui, as milhas são um ativo dos programas, que são um Banco Central desregulamentado: emitem na quantidade que querem, comercializam pelo valor de entendem lucrativo e desvalorizam a tabela quando o mercado está inflacionado.

Quando temos milhas e não as usamos, isso é o melhor dos mundos para esses programas, porque eles não têm que entregar o produto em troca dessa moeda que eles venderam. E as chances dessa milha estar desvalorizada em 2 anos é enorme: se hoje o cliente emite 2 passagens para a Europa em executiva, em 2020 ele provavelmente só emitirá 1 com a mesma quantidade de milhas.

As exceções à regra são os programas americanos, que avisam com bastante antecedência – entre 6 meses e 1 ano –  a desvalorização da tabela. É por isso que as minhas únicas milhas que funcionam como poupança estão no AAdvantage: tenho confiança que as alterações me serão comunicadas com antecedência e eu terei tempo de usá-las da forma que achar melhor.

Então, o que fazer?

O pré-requisito para fazer dar certo é estudar os programas. Você sabe que pode emitir a mesma passagem com programas diferentes dependendo da aliança a que eles pertencem. Então, não vejo problema em ter milhas no Lifemiles, Amigo e Victoria, por exemplo. Ou no AAdvantage, BAEC, Multiplus etc. Também não podemos nos esquecer que nada nos impede de emitir a ida com a Iberia e a volta com a Lufthansa, não é mesmo?

O único senão é que alguns programas não enxergam algumas parceiras. Mas isso também faz parte do estudo e da estratégia.

A primeira sugestão é abrir uma conta investimento e colocar algum dinheiro lá e seguir acompanhando as notícias dos programas. Veja a frequência e época que eles fazem promoções, quais são os parceiros preferidos, etc.

Cerca de 14/15 meses antes da viagem, comece a ver a disponibilidade nos diferentes programas e faça simulações nas rotas, cabines, datas aproximadas e, importantíssimo, a quantidade de passagens que você quer emitir. Há programas que disponibilizam um único bilhete em executiva para uma rota naquele dia, como é o caso da Korean Air na Smiles.

Faça as contas na ponta do lápis: qual deles é o mais vantajoso para a sua viagem? Como em 2 – 3 meses a maioria dos programas tem alguma promo, você poderá baixar o dinheiro do investimento,  comprar as milhas e emitir algum bilhete nos 12 meses antecedentes à viagem.

Pode ser que a sua emissão não saia uma pechincha porque as milhas não estão na sua conta quando aparecer aquela promoção imperdível. Mas certamente você estará protegido contra a desvalorização overnight e tem chances de emitir uma passagem vantajosa.

A segunda sugestão, eleja um cartão de crédito para chamar de seu e faça todos os seus gastos nele. Escolha um cartão cujos pontos não expiram e só transfira os pontos em uma boa promo perto da emissão (entre 15-12 meses antes da viagem).

Ah, esses 12 meses de antecedência são para emissão de passagens em cabines premium. Bilhetes em econômica são mais fáceis de encontrar mais perto da viagem – mas não em cima da hora, tá?

Uma terceira possibilidade atual é a compra de pontos Livelo com desconto, que é um marketplace com diversas parceiras e que tem transferências bonificadas com alguma frequência. Eu sempre tenho uma poupança razoável na Livelo justamente para aproveitar essas promos, mas sempre com uma viagem planejada para os próximos 12 meses.

De qualquer modo, acho que o essencial é não jogar todas as milhas em um único programa tipo uma poupança para uma emissão para um futuro distante (sim, 2 anos é uma eternidade no mercado brasileiro das milhas), exceto se o programa tiver um histórico de respeito mínimo com seus clientes.

E vocês? Como fazem? Vamos compartilhar nossas estratégias de emissão para todo mundo aproveitar melhor as suas milhas?

Agradeço ao Ge pela sugestão do post!