A aviação comercial brasileira teve um ano foi movimentadíssmo. Foi tão movimentado que parece até série da Netflix.  Essa semana tivemos episódios especialmente turbulentos e emocionantes. A grande estrela foi, sem dúvida, a Avianca e seu pedido de recuperação judicial. Mas a LATAM também esteve nas manchetes com uma medida mais do que impopular. E, para finalizar, o presidente Temer assinou medida provisória liberando 100% de capital estrangeiro em companhias aéreas brasileiras.

A AVIANCA

A novela da Avianca começou na semana passada com a divulgação do deferimento da liminar de busca e apreensão de aeronaves por falta de pagamento aos lessors. A empresa negou qualquer anormalidade e enviou um memorando para seus funcionários afirmando que não pediria recuperação judicial.

No episódio seguinte, três dias depois, lá estava a Avianca dando entrada na RJ tentando evitar que 20% de sua frota fosse imobilizada. A empresa soltou um comunicado aos passageiros dizendo que as operações não seriam afetadas.

Naquele mesmo dia, diversos voos foram cancelados – é só dar uma conferida nos sites e apps disponíveis.

Aliás, o voo de Miami para São Paulo que deveria ter saído hoje às 7 da manhã de lá, está com previsão para decolar às 12:15 – mais de 5 horas de atraso. Os passageiros não foram informados do motivo do atraso – pode ser que tenha relação com as chuvas em Guarulhos ontem – e a empresa não está oferecendo estadia, somente concedendo um voucher de USD 15 para cada passageiro.

Ou seja, além da crise financeira, a empresa passar por uma grande crise de credibilidade junto aos clientes. Além dessa postura na recuperação judicial, ninguém esquece aqueles episódios envolvendo o programa Amigo …

Aí chega a notícia de um aporte de verbas da United Airlines – um empréstimo de USD 456 milhões de dólares – para o grupo Synergy, que controla a Avianca Internacional (60%) e a Avianca Brasil/Oceanair (100%). Inicialmente, foi divulgado que o empréstimo seria para a Avianca Internacional, que também não está em seus melhores dias em termos financeiros.

De qualquer modo, há boatos de que a United Airlines tem interesse em comprar a Avianca Brasil, ou parte dela.

Para jogar mais lenha na fogueira, o Valor Econômico publicou que David Neeleman, da Azul, tem interesse na aquisição da Avianca usando recursos próprios (clique aqui para ler).

O TEMER

Mas eis que o presidente Temer assina uma MP liberando 100% de capital estrangeiro nas empresas brasileiras. A MP ainda precisa passar pelo Congresso Nacional que, por sua vez, já está na beira do recesso legislativo. A votação deverá ser pautada para fevereiro.

Não há como desvincular a MP da situação da Avianca Brasil. Ela foi assinada imediatamente após o pedido de recuperação judicial da Avianca. Dos grandes mercados de aviação no mundo, somente a Índia permite 100% de capital estrangeiro. Nos EUA, o berço do liberalismo econômico, o percentual máximo é de 25% de capital estrangeiro nas companhias aéreas.

Não custa lembrar que em março de 2016, a então presidente Dilma assinou uma MP liberando 49% de capital estrangeiro nas empresas aéreas brasileiras (clique aqui para ler) – o mesmo percentual da União Europeia, mas o Congresso não chegou a um acordo e os 20% foram mantidos.

E A LATAM …

Para fechar com chave de ouro a semana da aviação comercial brasileira, a LATAM decidiu que os passageiros que adquirem bilhetes na tarifa Light para a Europa não têm mais direito a bagagem despachada. O custo será de incríveis USD 55 / EUR 45 por peça de até 23 kg.

Além disso, a tarifa Plus, que dava direito a 2 volumes despachados agora só dá direito a um. Apenas a tarifa TOP manteve as duas malas.

Abaixo, a tabela com os preços praticados pela LATAM:

A season finale da série Aviação Comercial no Brasil promete! Aguardemos até o fim do ano para momentos de muita emoção!

Minhas apostas pessoais são as seguintes:

  1. vão descobrir que o Neeleman e o Efromovich são irmãos e que planejaram a compra da Avianca pela Azul desde o início, formando a Oceanazul Linhas Aéreas (OLA);
  2. também será revelado que a LATAM detem 95% das ações de uma empresa fabricante de calças cargo, que é uma S/A com cotação na bolsa de valores;
  3. o cliffhanger será o seguinte: será que a mesma pessoa que precifica os voos da Etihad e Royal Air Maroc no Smiles foi o encarregado da reformulação da tabela do Amigo?

Quais são as previsões de vocês para esse final de ano?