A imprensa sul-africana noticiou hoje que a South African Airways (SAA) está tecnicamente falida. Segundo relatos do City Press, a dívida da empresa está na casa dos R28 bilhões, ao passo que seu ativo é menos da metade – R13 bilhões.

A lei sul-africana exige que a SAA apresente seu balanço contábil no final do mês no Parlamento, mas devido ao rombo no caixa, ela não cumprirá a determinação legal. Segundo o Auditor-Geral, a situação da empresa é crítica e questiona a sua viabilidade.

Em um relatório confidencial apresentado há 10 dias atrás, o board decidiu tomar medidas drásticas. Dentre elas, está a terceirização do catering Air Chefs, e a terceirização ou venda da SAA Cargo.

Nesse meio tempo, a empresa tentará convencer ao governo de dar mais incentivos para a empresa, já que os bancos privados se recusam a financiar o que parece ser uma situação de altíssimo risco.

Alguns dados importantes foram revelados no relatório:

  1. Entre 31 de março e 31 de julho, a empresa perdeu mais R2 bilhões.
  2. SAAT (SAA Technical), que sofreu perdas signficativas em furtos e fraudes, está perdendo R560 milhões/ano em virtude de um péssimo desempenho no turnaround por conta da manutenção das aeronaves;
  3. Os custos mensais da SAA, que estão entre R350-450/mês são mais altos do que sua receita.
  4. Para apresentar uma melhora de R1 bilhão ao final do ano fiscal, é necessário que a empresa reduza os custos em 5.2% e que aumente a receita na mesma proporção.
  5. O antigo presidente do Conselho deixou a SAA com corrupção disseminada, baixa produtividade dos pilotos, balanço fraco, problemas de liquidez, perda de confiança dos fornecedores, e graves problemas no setor de TI.

O relatório demonstra, também, que a empresa vai precisar de R21.7 bilhões até 2021, que é o prazo esperado para que a SAA possa apresentar lucro. Esses R21.7 inclui ajuda governamentail no montante de R12..5 bilhões, e o restante, em empréstimos. O problema é que ninguém quer emprestar dinheiro para a empresa.

O atual presidente do Conselho vem tomando medidas drásticas que incluem cortes e uma possível adoção do modelo de low cost. A rota para Londres, por exemplo, que era operada 2x por dia, passou a ter apenas um voo diário. Pela primeira vez em anos, a rota foi lucrativa.

Algumas mudanças nas rotas para Hong Kong, Perth, Alemanha e Buenos Aires estão sendo consideradas com o fito de melhorar a conectividade dos passageiros, capturar mais tráfego e manter os aviões em uso por mais tempo.

Há mais de um ano escrevi um post sobre o mesmíssimo assunto (clique aqui para ler): a empresa vem dando prejuízo há 7 anos. Sim, 7 anos.

A SAA é a Alitalia da África do Sul: sofre com a péssima administração privada e espera que o dinheiro público possa salvar a empresa.

Ou seja: o capitalismo é bom para o resto do mundo; o que a gente quer mesmo é sobreviver às custas do Bolsa Empresário.

Não há qualquer menção à suspensão das operações. Mas é sempre bom ter cuidado na emissão de bilhetes com muita antecedência. A SAA é membro da Star Alliance e tem um codeshare com a LATAM na rota São Paulo – Johannesbourg.

Para ler a reportagem original, clique aqui.