Gente, assisti um vídeo esclarecedor e, ao mesmo tempo, muito impactante, sobre o desenvolvimento do B737-MAX. Infelizmente, o vídeo está em inglês e sem legendas, mas deixo abaixo os principais pontos levantados pelo realizador.

  • O x da questão é a rivalidade (e $$$) entre a Boeing e a Airbus.
  • O B737 é uma aeronave de 50 anos que foi redesenhada 3 vezes.
  • Em 2011, havia rumores que a Boeing iria projetar uma nova aeronave single-aisle mais eficiente para substituir o B737. A nova aeronave evitaria as limitações que a fuselagem do B737 impõe aos engenheiros.
  • As empresas aéreas se interessaram em voar em rotas cada vez mais longas com aeronaves single-aisle por conta da economia de combustivel.
  • Em dezembro de 2010, a Airbus anunciou uma nova versão da família A320, mais eficiente e que poderia operar rotas mais longas, o A320neo, que vendeu muito bem à época.
  • Em julho de 2011, a AA, que não tinha aviões da Airbus em sua frota, anunciou a compra de 130 A320, 130 A320neo, 100 B737 e 100 B737 re-engined.
  • Só tinha um problema: a Boeing não tinha planos para um B737 re-engined. Ou seja, a AA anunciou a compra de uma aeronave que supostamente não existia.
  • O interesse da AA em forçar a Boeing redesenhar o B737 ao invés de projetar uma nova aeronave foi puramente econômico também: os pilotos são treinados para voar uma aeronave e todas as suas variantes. Assim, uma nova aeronave da Boeing implicaria em enormes gastos em treinamento de pilotos. Já uma variante do B737 não exigiria essa despesa.
  • Então, logo após o anúncio da AA, a Boeing enfim anunciou o B737-MAX, uma aeronave 15% mais eficiente que o B737-700, e com alcance para fazer voos transcontinentais.
  • Para que isso acontecesse, seria necessário um motor maior, o que alterou o aerodinâmica do B737. Essa alteração fez com que o nariz do avião inclinasse para o alto, levando ao stall da aeronave. Para corrigir esse problema, foi necessária a instalação do MCAS, um sistema que traria o nariz do avião para a posição correta.
  • A menos que o MCAS esteja desativado, ele irá trazer o nariz do B737-MAX para baixo. E foi isso que hoje se acredita que aconteceu nos acidentes com as aeronaves da Lion Air e da Ethiopian.

Atualmente, todos os B737-MAX estão em solo até que a Boeing tenha uma solução definitiva para o problema. Entretanto, as centenas de vidas perdidas são uma terrível mancha para a história da empresa.

Conheço diversas pessoas que me afirmaram categoricamente que não voam no B737-MAX até que muitos e muitos voos tenham sido feitos sem qualquer tipo de problema.

Eu me lembro do problema da bateria de lítio nos B787 que também levou muitas aeronaves a permanecerem em solo em 2013. Foi pura sorte que não houve fatalidades, já que, em um dos incidentes, a bateria pegou fogo em solo, logo após a chegada de voo transcontinental da JAL entre o Japão e os EUA. Para saber mais sobre o assunto, clique aqui.

Eu confesso que não me sentiria confortável em voar no B737-MAX pouco tempo após a sua liberação, mas eu não tenho conhecimentos suficientes para tomar uma decisão técnica. É somente medo, mesmo, e, portanto, irracional …

Para quem quiser ver uma análise técnica do B737-MAX, disponibilizo o vídeo do Aviões e Músicas, o excepcional canal de aviação comandado pelo Lito.