Os queridos leitores fizeram duas ressalvas importantes quanto ao post de ontem: não falei sobre a econômica e deixei de fora o Lifemiles. Pois bem, como eu ouço os meus leitores, atualizei o post com as informações que vocês desejam. Imagina que louco se os programas de fidelidade e as companhias aéreas tivessem a mesma atitude?

Diante das mudanças nas tabelas dos programas Amigo e LATAM Fidelidade, decidi escrever esse post comparando 3 programas brasileiros e o Lifemiles em função da menor quantidade de milhas/pontos cobrados por cada um deles. O post é dirigido àqueles que acumulam milhas via parceiras financeiras, Livelo, etc. Os viajantes frequentes merecerão um post à parte, já que a dinâmica de acúmulo é diferente e a obtenção e benefício de status nos programas impactam o seu valor.

Falarei do Smiles, do Amigo e do LATAM Fidelidade tratando apenas da emissão com parceiras.

Escolhi 5 trechos internacionais em classe econômica e em executiva, todos na data de 26 de maio de 2019 e tecerei algumas considerações sobre cada programa. Os trechos foram escolhidos aleatoriamente e são eles:

São Paulo - Nova York

Rio de Janeiro - Paris

Salvador - Lisboa

São Paulo - Johannesbourg

Rio de Janeiro - Dubai

SMILES ECONÔMICA

São Paulo - Nova York: 70.000 milhas Copa Airlines, Air Canada e Delta (sendo o da Delta voo direto)

Rio de Janeiro - Paris: 85.000 milhas Alitalia, 110.00 milhas Air France (com 2 paradas), 102.500 milhas Royal Air Maroc (com 1 parada)

Salvador - Lisboa: 80.000 milhas TAP (voo direto)

São Paulo - Joanesburgo: 117.000 milhas Ethiopian (1 parada com 21h45 de viagem, 140.000 milhas Emirates (27h55 de viagem) (+ R$ 617,00 taxas)

Rio de Janeiro - Dubai: 82.000 milhas Emirates (+ R$ 582,00 taxas)

SMILES EXECUTIVA

São Paulo - Nova York: 110.000 milhas Copa Airlines

Rio de Janeiro - Paris: 230.000 milhas Air France

Salvador - Lisboa: 100.000 milhas TAP

São Paulo - Joanesburgo: 330.000 milhas Emirates (+ R$ 1712,00 taxas)

Rio de Janeiro - Dubai: 280.000 milhas Emirates (+ R$ 1135,00 taxas)

O Smiles será incorporado pela GOL e não é sabida a extensão das alterações do programa, se é que elas serão feitas. No último mês, as promos de transferência bonificada de cartões de crédito, antes costumeiras, sumiram.

Lembro a vocês que escolhi uma data específica para poder parametrizar os resultados – mas o Smiles pode cobrar valores menores ou maiores dependendo do dia.

Ou seja, agora estamos nas transferências 1:1 o que torna alguns resgates francamente desafiadores, mesmo sem a cobrança de YQ. Uma ida e volta para Paris para uma única pessoa sai por 460.000 sorrisos. Um casal gastará 920.000 sorrisos.

Como a compra de milhas tem um teto, a única maneira de conseguir esses valores é na transferência das parceiras financeiras. Se pensarmos na Livelo com 50% de desconto – R$ 35,00 o milheiro – essa viagem para Paris sairia pela bagatela de R$ 16.100,00.

Apesar dos valores estratosféricos praticados por algumas parceiras, como Air France e, principalmente, Emirates, os resgates com a Qatar e com a Korean têm valores muito bons.

O cancelamento de bilhetes sai por R$ 350,00 o trecho e até mesmo para alterar a data, mantendo origem e destino, o bilhete tem que ser cancelado.

Uma vantagem inegável do Smiles é que, dos programas brasileiros, é o que oferece o melhor departamento de TI. Além disso, o programa oferece o Viaje Fácil, que também é uma ferramenta super útil para quem encontra disponibilidade, mas não dispõe das milhas necessárias para emissão imediata.

Entretanto, repito: não sabemos se mudanças acontecerão e, em as havendo, como elas impactarão os clientes.

AMIGO ECONÔMICA

São Paulo - Nova York: 35.000 pontos com a O6 e 70.000 com a Copa Airlines

Rio de Janeiro - Paris: 80.000 pontos TAP/Lufthansa

Salvador - Lisboa: 50.000 pontos TAP (direto)

São Paulo - Johannesbourg: 50.000 pontos SAA

Rio de Janeiro - Dubai: 90.000 pontos O6 + Ethiopian

AMIGO EXECUTIVA

São Paulo - Nova York: 120.000 O6 e 130.000 pontos com a Copa

São Paulo - Paris: 260.000 pontos Ethiopian e 300.000 pontos Turkish
(obs; não havia disponibilidade nenhuma em datas próximas com origem no Rio de Janeiro)

Salvador - Lisboa: 100.000 pontos TAP

São Paulo - Joanesburgo: 100.000 pontos SAA e 270.000 pontos Ethiopian

São Paulo - Dubai: 210.000 pontos SWISS, 280.000 Turkish e 300.000 Ethiopian (obs; não havia disponibilidade nenhuma em datas próximas com origem no Rio de Janeiro)

O Amigo fez um reajuste de tabela que está difícil de superar. Foram aumentos altíssimos – alguns chegam a inimagináveis 400% – que praticamente inviabilizaram o programa para muita gente.

Vejamos: são 260.000 pontos um trecho para Paris pela Ethiopian com uma escala em Adis Abeba. Uma ida e volta, portanto, sairia por 520.000 amiguinhos.

Supondo uma promo Livelo com 100% de bônus e com 50% de desconto na compra de pontos, seria necessária a aquisição de 260.000 pontos ao custo de R$ 35,00 o milheiro, totalizando R$ 9.100,00. É mais barato e vantajoso comprar diretamente com a Air France e viajar em uma companhia infinitamente superior em um voo direto.

O departamento de TI do Amigo deixa muito a desejar – a interface do site é muito ruim, e o programa continua não enxergando algumas parceiras, apesar de eu pessoalmente ter cobrado isso naquele telefonema com o diretor do programa.

Uma promessa feita e que aparentemente não está sendo cumprida  é que não haveria mudanças nos valores cobrados em voos da própria Avianca. Nova York está saindo por 120.000 pontos, quando o valor correto seria de 70.000 – quase 60% de aumento.

Outra promessa que também não condiz com a realidade atual do programa – não se sabe ainda se está havendo algum bug, mas já fui informada por fonte não oficial que é isso mesmo que está aí – é a precificação de acordo com a distância.

Além de não haver qualquer tipo de tabela de distância publicada, em nome da transparência e respeito com o cliente tal e qual British Airways e Iberia fazem, um trecho Seoul – Osaka está saindo por 180.000 amiguinhos par 1h35 mins de voo.

Mas isso é assunto para outro post. No momento, a única coisa que posso dizer com honestidade sobre o Amigo é: não recomendo.

LATAM Fidelidade ECONÔMICA

São Paulo - Nova York: 35.000 milhas tabela vigente e até 54.000 na tabela nova. 

Rio de Janeiro - Paris: 40.000 milhas tabela vigente e até 61.500 na tabela nova. 

Salvador - Lisboa: 40.000 milhas tabela vigente e até 61.500 na tabela nova. 

São Paulo - Joanesburgo: 40.000 milhas tabela vigente e até 61.500 na tabela nova. 

Rio de Janeiro - Dubai: 45.000 milhas tabela vigente e até 69.000 na tabela nova.

LATAM Fidelidade EXECUTIVA

São Paulo - Nova York: 75.000 milhas tabela vigente e até 106.500 na tabela nova.

Rio de Janeiro - Paris: 100.000 milhas tabela vigente e até 142.000 na tabela nova.

Salvador - Lisboa: 100.000 milhas tabela vigente e até 142.000 na tabela nova.

São Paulo - Joanesburgo: 70.000 milhas tabela vigente e até 297.500 na tabela nova.

Rio de Janeiro - Dubai: 100.000 milhas tabela vigente e até 142.000 na tabela nova.

Diante do aumento abusivo da tabela do Amigo, a gente chega até a pensar que o LATAM Fidelidade não aumentou tanto assim. A tabela antiga serve de piso para a tabela nova, que sofreu aumentos na casa dos 40% – 50%. Entretanto, o aumento também foi expressivo.

Esse trecho para Joanesburgo é que é um mistério para mim. Não sei se eles estão contando um voo com escala na Europa e contando 2 trechos até lá. Aliás, essa questão de região A para região C passando por região B será objeto de post ainda essa semana.

Entretanto, o aumento do Fidelidade não foi tão massacrante como o Amigo, o que deu uma reviravolta nos resgates. Se antes o Amigo custava 20% a menos para ir para a Europa em executiva (80.000 pontos), agora esse mesmo trecho sai por cerca de 210.000 pontos. No seu resgate mais alto, o Fidelidade vai cobrar 142.000 pontos pelo mesmo bilhete. É uma baita economia.

O problema aqui é outro: o TI é sofrível e quase ninguém está conseguindo emitir com as parceiras. Quem consegue geralmente o faz com mais de 10 telefonemas para a central de atendimento.

E já tem tanto tempo que eles estão para acertar isso que a gente começa a desconfiar que não há interesse em consertar o que está errado. Então fica a pergunta que não quer calar: vale a pena transferir os pontos se eu não vou conseguir resgatá-los?

De qualquer modo, o Fidelidade ainda permite 30% de bônus nas transferências das parceiras financeiras para quem tem o Clube 10.000, o que pode fazer a diferença na hora de juntar as latinhas para conseguir emitir um bilhete.

LIFEMILES ECONÔMICA

São Paulo - Nova York: 35.000 milhas O6 voo direto

Rio de Janeiro - Paris: 55.000 milhas TAP/LH

Salvador - Lisboa: 55.00 milhas TAP voo direto

São Paulo - Joanesburgo: 50.000 milhas SAA voo direto

Rio de Janeiro - Dubai: 60.00 milhas O6 (GIG-GRU) + Ethiopian (GRU-ADD-DXB).

LIFEMILES EXECUTIVA

São Paulo - Nova York: 60.000 milhas AV escala em BOG

Rio de Janeiro - Paris: 75.000 milhas TAP/LH (trecho longo com a TAP).

Salvador - Lisboa: 75.000 milhas O6 (SSA-GRU) + TAP (GRU-LIS)

São Paulo - Joanesburgo: 97.500 milhas SAA voo direto

Rio de Janeiro - Dubai: 87.820 milhas O6 (GIG-GRU) + Ethiopian (GRU-ADD-DXB).

O Lifemiles inicialmente anunciou parceria com a Livelo em 1:1 até dia 30.09, mas houve uma prorrogação de mais 2 meses, encerrando agora dia 30.11.  Os valores são bem atraentes em termos absolutos. Mas se a parceria entre as empresas for levada a cabo na proporção 1,3:1, o Lifemiles deixa de ser vantajoso.

Um benefício ótimo do programa é que não há cobrança da taxa de YQ.  Outra vantagem são os valores cobrados nos trechos intra-Ásia: 12.000/15.000 milhas em econômica e 30.000 milhas em executiva. Dá para ir de Osaka a Singapura – um voo de cerca de 7 horas – por essas 30.000 milhas voando ANA ou Singapore. Uma First da Thai entre Tóquio e Bangkok sai por 50.000 milhas – um ótimo valor! É só fazer as contas da compra de pontos Livelo com 40% de desconto (R$ 42,00/milheiro).

Mas há problemas também: o sistema não enxerga algumas parceiras e o que está online é o que o call center também vê. Então, se o voo que você quer não está lá, nem adianta: ele não está mesmo.

CONCLUSÃO

Os programas brasileiros ficaram tão ruins, mas tão ruins que eu não consigo recomendar nenhum deles. Os TI são péssimos, à exceção do Smiles, os resgates estão tão absurdos que, na ponta do lápis, sai mais barato comprar a passagem  diretamente com a companhia aérea.

Há algumas exceções em que os programas ainda valem a pena: para os voos intra-Ásia, no momento, não há discussão – é Livelo na cabeça e também tem a Korean via Smiles, que tem bons valores.

Tem tido promos para a Europa em executiva por cerca de R$ 5.000,00 – menos do que se gasta anualmente no Plano 20.000 da Livelo que rende 240.000 pontos – uma ida para a Europa com o Amigo, Smiles ou com a nova tabela LATAM Fidelidade (assumindo que o valor do piso será raro de encontrar).

Também tenho visto várias promoções em econômica para a América do Norte por menos de R$ 2.000,00 ida e volta, o que por vezes sai mais vantajoso do que comprar pontos e transferir com bônus. Para a Europa, os valores têm sido um pouco mais salgados, mas os valores para resgate também são maiores. É questão de fazer a conta no lápis, mesmo.

Talvez isso seja o mais sábio hoje em dia: fazer uma poupança ou aplicar um valor mensal em um fundo de investimentos e quanto tiver uma boa promoção para viajar, compra-se a passagem. De preferência com uma companhia aérea estrangeira.

OBS: No fim de semana, eu vou montar um post com uma tabelinha que vai tornar a visualização mais fácil. Nesse meio tempo, aceito sugestões de como ajudar vocês da melhor maneira possível.