Os programas de milhagens estão sofrendo mudanças drásticas nos últimos dois anos. O acúmulo de milhas e a aquisição de status proporcional ao gasto com as passagens está se tornando um padrão na indústria – quem gasta mais, ganha mais.  Está cada vez mais difícil conseguir ou manter o nível mais alto de status nos programas de milhagem – é só se inteirar das mudanças efetuadas no AAdvantage da AA (clique aqui) ou no LATAM Pass (clique aqui).

Neste cenário, as milhas transferidas dos cartões de crédito para os programas de milhagem estão ganhando importância. Nos EUA há uma verdadeira indústria de pontos de cartão de crédito atrelados a milhas, com diversos benefícios tais como:

(a)  oferta de bônus de adesão ao cartão: 50.000/100.000  etc pontos na adesão, com ou sem gasto mínimo nos 3/6/12 primeiros meses;
(b) oferta de status na cia: a adesão ao cartão já garante ao titular o status máximo em determinado programa de milhagem;
(c) prioridade no check-in, na fila da segurança, no embarque;
(d) acesso gratuito às salas VIP de determinada empresa;
(e) pontuação diferenciada de acordo com o produto/serviço adquirido durante o ano todo:  por exemplo, o titular do cartão ganha 1 milha a cada dólar gasto, mas se o gasto é com passagens aéreas, ele ganha 3 milhas por cada dólar gasto, e se for em restaurantes, ele ganha 2 milhas pode cada dólar gasto e por aí vai.
(f) parceria com inúmeras cias aéreas;
(g) bônus em crédito no cartão para despesas com viagens.

Enquanto isso, no Brasil, as operadoras de cartões de crédito ainda não se deram conta desse enorme mercado ainda não explorado em sua totalidade. O The Platinum Card da Amex (TPC), por exemplo, considerado o melhor cartão de crédito do Brasil, somente oferece os itens (d) e (f) e, mesmo assim, a associação se dá somente por meio de convite.

Há alguns cartões que oferecem o cash back – uma porcentagem dos gastos volta para a fatura como crédito, mas isso nada tem a ver com o item (g), por exemplo.

Nos EUA, o Chase Sapphire Reserve está oferecendo US$ 300 em crédito para despesas com viagens, além de um bônus inicial de 100.000 pontos e 3 pontos por dólar gasto com viagens e restaurantes no mundo inteiro. É claro que isso tem um custo: anuidade de US$ 450 e US$ 4.000 de gasto nos 3 primeiros meses. Gente, sinceramente? Conheço muita gente que pediria esse cartão sem piscar os olhos! Além disso, há dezenas de outros que, apesar não de disponibilizarem US$ 300 em crédito, oferecem diversos benefícios a um custo menor.

Ainda que não se ofereça essa bonança toda, os bancos e operadoras de cartão de crédito aqui no Brasil estão muito míopes em relação aos programas de milhagem. A grande maioria inclui as cias brasileiras e uma ou outra cia estrangeira. E só.  Não há cartão de crédito no Brasil que transfira pontos para a Lufthansa, Swiss, Turkish e United, por exemplo. E só o TPC transfere para a British, Iberia, Air France/KLM, Singapore, Emirates e outras. Além dele, o Santander Mastercard Black transfere para a Aeromexico e Iberia, dentre as outras comuns.

Resumindo, a impressão que tenho é que, no Brasil, se fala muito em livre concorrência mas se concorre pouco. Parece que o paradigma é: se ninguém está oferecendo, eu também não vou oferecer. Os bancos e operadoras de cartão de crédito se mostram pouco ou dispostos em criar produtos atrativos e inovadores para captar consumidores. Na minha opinião, basta um. Quem se habilita?