A busca e apreensão de dois A320 da Avianca Brasil caiu na mídia alguns dias depois do anúncio da separação do programa Amigo. Estou aqui pensando sobre esse quebra-cabeças que se formou.

Inicialmente, destaco que não tenho qualquer outra informação sobre o assunto senão aquela publicada no post anterior, em matéria jornalística apurada pela Folha de São Paulo (clique aqui para ler) e na decisão do TJSP que coloco abaixo. Tampouco o que vou comentar pretende representar a verdade dos fatos: o texto expressa minha opinião pessoal e tem apenas caráter especulativo.

Eu tinha ficado intrigada com a decisão do board da Avianca de ir na contramão do mercado. Enquanto Smiles e Multiplus estão sendo absorvidas por suas respectivas companhias aéreas, a Avianca optou pelo spin-off do Amigo.

Com a notícia da busca e apreensão de aeronaves por dois lessors – BOC Aviation e Infitity – em virtude da falta de pagamento, me parece que pode estar havendo uma tentativa de separar o programa Amigo para que ele não seja afetado pela cobrança das dívidas superiores a R$ 1 bi, de acordo com a Folha.

Se há, efetivamente, conversas sobre um pedido de recuperação judicial da Avianca, o spin-off se justifica.

Agora, também me parece curioso que, nesse ano, o Amigo, ainda parte da Avianca,  tenha se movimentado largamente em dois sentidos: o primeiro, de fazer inúmeras promoções com 100% de bônus nas transferências dos parceiros financeiros. Quantos de nós não transferimos pontos para o Amigo nessas condições?

O segundo movimento foi a desvalorização brutal da tabela da noite para o dia. Outros programas desvalorizaram? Sim, mas de modo mais suave. É só ver o histórico do Smiles e do LATAM Fidelidade. O aumento da quantidade de milhas/pontos para resgatar bilhetes foi paulatina.

O Amigo foi um tsunami que ninguém esperava. Em momento algum das entrevistas concedidas ao Milhas e Destinos, ao Melhores Destinos e ao Passageiro de Primeira foi mencionado que os aumentos, no geral, seriam massivos.

O fato é que nós, consumidores, perdemos dinheiro. Compramos milhas para emitir passagens em executiva para a Europa por 80.000 pontos o trecho, e agora esse mesmo trecho sai por 210.000 pontos. Nós perdemos e, nesse caso, alguém ganhou. E quem ganhou foi a Avianca – afinal, o Amigo ainda pertence a ela. Ao fim e ao cabo, nessas promoções aparentemente nós contribuímos para amenizar o fluxo de caixa da Avianca.

Enfim, aguardemos os novos capítulos da saga.

O que vocês acharam  desse conjunto de notícias? Vocês acham que eu estou errada nas minhas ponderações? Hit the comments!