Mais um guest post sensacional do Carlos com a avaliação dos piores de 2018. Me digam se vocês concordam com ele.

2018 foi um ano especial para o universo das milhas no Brasil. Especialmente ruim. Todos os programas de companhias aéreas luso-brasileiras realizaram ou anunciaram mudanças que alteram, de maneira ruim, péssima ou terminal, as condições de acúmulo e uso de milhas para resgates de passagens e/ou status de viajantes frequentes.
Mas este não foi o único setor a ter pioras, este espírito “mautalino” também se espalhou por outros também relevantes para os viajantes e milheiros.
Normalmente, nos finais de ano é comum termos uma relação dos melhores do ano, destacando o que de melhor aconteceu ao longo do período. Mas para 2018, é impossível fazer isso. Praticamente nada de bom pode ser destacado do ano que findou. Na verdade, quem começou 2018 e terminou exatamente do mesmo jeito, sem qualquer alteração, já mereceria um prêmio.
Dentro deste espírito, pela facilidade e abundância do material e para relembrarmos todos que não devemos esquecer em 2019, pensei em destacar não os melhores de 2018, mas os piores! A competição é bastante acirrada e não estou levando em conta o valor absoluto das coisas, mas o valor relativo dos retrocessos anunciados. Os melhores “pioramentos” é que serão selecionados.

Pior programa de milhagem

Esta é a categoria mais competitiva. Começamos o ano com o Miles&Go (pode me chamar de Victoria TAP) fazendo uma mega desvalorização (anunciada com 7 dias de antecedência) de sua tabela de resgates em voos próprios. E poucas semanas depois, fez outra, sem aviso, nos resgates de voos Star Alliance.
Em seguida veio Multiplus com a migração do sistema Amadeus para Sabre que deixou o sistema inoperante por vários dias e com mau funcionamento constante e, até hoje, sem disponibilidade de resgatar passagens em uma série de parceiros One World. Houve também enormes aumentos nas passagens com destino à Oceania.
Sendo pouca a maldade, estabeleceram valores impraticáveis para obtenção de status no programa e ainda anunciaram o aumento das tabelas de resgates nos parceiros One World (se der sorte do sistema funcionar).
O Amigo anunciou uma desvalorização secreta de sua tabela de resgates, tendo o seu diretor, Fabrício Angelin, informado a diversos blogs que pelo menos metade das rotas mais resgatadas não sofreriam reajuste e que uma quantidade significativa de rotas teria seu valor reduzido. Além de não ter sido possível achar nenhum dado que comprove as informações previamente divulgadas, os clientes foram surpreendidos com o massacre promovido nos valores dos resgates. Reajustes de 100% poderiam até serem considerados “razoáveis” frente aos aumentos de 300% e 500% sofridos em diversas rotas.
Veio o Tudo Azul e informou que “apenas” iria reduzir (significativamente) a quantidade de pontos ganhos com voos e aumentar a pontuação necessária para obtenção de status no programa.
E, finalmente, Smiles informou que vai eliminar a obtenção de pontos qualificáveis nas transferências de pontos, aumentar o teto do valor das passagens para clientes Diamante, modificar a contagem de trechos voados e retirar destinos internacionais da emissão da passagem cortesia.
Dentre todos estes competidores, eu colocaria Victoria, Multiplus e Amigo como os grandes concorrentes, pelo quesito falta de transparência e/ou desonestidade. Apesar de o Multiplus, pelo menos, aplicar uma política de aviso prévio com alguma antecedência, a sua migração de sistemas representou uma baita desvalorização técnica, não anunciada, ao provocar indisponibilidade de parceiros e rotas e aumento de valores.
Mas a disputa principal, para mim, acaba sendo entre os dois integrantes da Star Alliance. Pelo conjunto da obra, talvez o Victoria merecesse o título. Desde 2017 vem promovendo uma série de mudanças no programa, a vasta maioria sem aviso ou com aviso de curtíssimo prazo e ainda com a cobrança, abandonada posteriormente, de taxa de combustível em voos próprios saindo do Brasil.
Contudo, com a piora geral, o programa ainda possui alguma utilidade. O Amigo merece ganhar o prêmio de pior programa de milhagem de 2018, não só pelo modo obscuro com que tratou a mudança e pela “falha de comunicação” (merece uma sequência de “”””””””””) de seu diretor com os clientes, mas por ter tornado um dos melhores programas de milhagem o pior, praticamente inútil para qualquer cliente brasileiro.

Pior cartão de crédito

Esta também é uma categoria de destaque pelo topo. Logo no começo do ano, o Bradesco anunciou que seus cartões de crédito American Express “raiz” deixariam de pontuar no programa Membership Rewards (extinto no Brasil) para acumular os pontos no Livelo. O significado disso? Tchau Singapore, Emirates, British, Delta, Air France, Lifemiles com taxa de transferência de 1:1. Houve também piora na central de atendimento, saída de diversos restaurantes do Programa Menu Bradesco e também das opções do Celebration, isto aliado ao reajuste da anuidade do The Platinum Card em mais de 10%.
Ao longo do ano, tivemos o Santander canibalizando seu melhor (ou mais caro) cartão de crédito (e os demais também), o Mastercard Unlimited, com metas de gastos inviáveis, redução significativa na participação e valores de bônus de transferência, limitando a quantidade de convidados em salas VIP a oito por ano e aumentando a anuidade em 10%.
Como informei anteriormente, não quero dizer que os cartões são os piores do mercado, mas os que mais pioraram. Pelo conjunto da obra e perda de valor, o Unlimited merecia o título, mas a perda do Membership Rewards foi muito mais significativa, na minha opinião, dando o título de pior cartão de crédito para o American Express The Platinum Card.

Pior promoção

Esta é uma categoria com vários candidatos mas, honestamente, achei difícil destacar alguns. Temos os bônus de transferência para o Amigo após o massacre, o Smiles com suas ofertas semanais de bônus irrisórios ou os dos bônus por compras em parceiros oferecendo 1,5 pontos por dólar, euro ou libra gasta e tendo de esperar 120 dias ou mais para o crédito dos pontos, que provavelmente não são feitos sem uma boa briga.
Mas as que destaco, no final, para conquista do prêmio são as do Multiplus, oferecendo “giga” bônus de 10%, limitados a cartões de crédito extremamente populares como Uniprime, Zaffari…

Pior lançamento

Categoria também competitiva. Começamos com o Clube Multiplus que, apenas dois meses após seu lançamento, modificou suas regras para limitar os bônus concedidos na transferência de Kms de Vantagens e, seis meses depois, modificou-as novamente para limitar a 30k pontos o máximo de bônus que poderia ser obtido nas transferências de pontos.
Em seguida tivemos outro clube lançado, desta vez Lifemiles. Oferecia custo superior às milhas compradas nas melhores promoções e ainda exigia (para não piorar ainda mais o custo) a permanência no programa por 12 meses.
Com destaque para o nome, o Bradesco lançou o cartão de crédito Aeternum, exclusivo para clientes Private e cobrando anuidade de 1.500 reais, pontuação de 2.3 e apenas 6 visitas gratuitas a lounges por ano.
Concorrendo também tivemos lançado o Elo Nanquim Diners, que veio substituir o antigo e extinto Diners Club. Enquanto o cartão antigo permitia acesso ilimitado e grátis a lounges no exterior, com baixa anuidade, o novo Diners oferece apenas 10 acessos gratuitos cobrando anuidade muito mais cara.
Por fim, destaco os assentos Latam+. São iguaizinhos aos demais assentos do avião, mas tem adesivos nos compartimentos de bagagem. Lançamento que mudou o mercado da aviação nacional.
E o prêmio de pior lançamento de 2018 vai para o Aeternum, que com nome tão pomposo e anuidade tão cara oferece muito menos do que vários cartões concorrentes que cobram mais barato e são mais acessíveis.

Menções honrosas

Não é possível de deixar mencionar e premiar uma série de outros candidatos com uma menção honrosa de piores do ano.
Começamos com diversas companhias aéreas (Qatar, Emirates, Air Canada, South African…) que introduziram cobrança taxas de combustível em voos saindo do Brasil. A menção honrosa é compartilhada com a ANAC, que nada faz para coibir a prática.
Destaque para as companhias aéreas (Gol, Latam, Avianca, Azul…) que promoveram, ao longo do ano, diversos reajustes nos valores das bagagens despachadas. Menção honrosa compartilhada, novamente e com louvor, com a ANAC, que promoveu a alteração de sua legislação permitindo a cobrança do despacho com o argumento que haveria queda nos preços das passagens.
Não suficiente, nova merecida menção às companhias aéreas (Gol, Latam, Avianca…) que passaram a cobrar a simples marcação do assento nas passagens compradas.
E, finalmente, menção honrosa ao Itaú por ter promovido o aumento do valor de venda de pontos no Sempre Presente, de R$ 35 para R$ 39 o milheiro e, apenas 15 dias depois, efetuado novo aumento, de R$ 39 para apenas R$ 59 o milheiro!

Bom, estes foram os laureados de 2018. Fui injusto e esqueci de mencionar algum candidato, ou dei o prêmio a quem não merecia tanto ser o pior de 2018?