Continuando o guest post sobre o Egito, o Fábio hoje vai comentar sobre a rota clássica do Rio Nilo e do Mar Vermelho. Todas as fotos do post foram tiradas pelo Fábio.

ROTA CLÁSSICA DO RIO NILO

Trata-se da região mais povoada, e também mais visitada do Egito, seguindo o traçado do Rio Nilo de norte até o sul do país. É onde se encontram as principais atrações e relíquias arqueológicas do país. Inclui as cidades do Cairo, Luxor, Aswan e Alexandria.

Cairo

Cairo

Porta de entrada de minha viagem com algumas das principais atrações do país. A primeira impressão pode ser um pouco negativa pelo trânsito caótico e barulhento da cidade, onde muitas das construções passam a impressão de estarem um pouco abandonadas, mal acabadas e sem cor. Creio que a melhor local da cidade para um turista se hospedar é nas proximidades da Praça Tahrir. Na região existe uma ampla oferta de hoteis, opções para alimentação e de apoio ao turista (agências locais, lojas de lembranças, etc), segurança e proximidade de algumas das atrações da cidade. Eu recomendaria entre 3/4 dias na cidade para fazer o básico:

  • Cairo Cristão – também conhecido como Bairro Copta, que é uma vertente cristã das mais antigas e específica do Egito, sendo que foi a religião principal do país antes do domínio islâmico. Hoje algumas estimativas dizem que entre 10 e 20% da população ainda segue essa religião, entretanto com o aprofundamento da islamização do país essas comunidades têm ficado cada vez mais isoladas. As principais atrações dessa bairro são: Museu Copta, Basílica de São Jorge, e a famosa Igreja Suspensa. Todas essas atrações (além de outras) ficam muito próximas umas das outras e visitar tudo deve tomar algo como 4 horas. O acesso é muito fácil a partir da Praça Tahrir, inclusive sendo possível utilizar o metrô. Nas proximidades do bairro copta também existe a Mesquita de Amr Ibs Al-As, a mais antiga do país e a primeira construída no continente africano.
  • Cairo Islâmico – consiste de dois complexos localizados em diferentes locais. O primeiro é a Cidadela de Saladino, fortificação construída durante a Idade Média para defender a cidade dos cruzados . A região foi reformada no século XIX pelo regente Muhammad Ali, que por lá construiu uma grande mesquita que ficou conhecida por seu nome.  A segunda região que vale a pena ser visitada é o bairro nas proximidade da Mesquita do Sultão Hassan e a Mesquita Al-Hifai, essa última provavelmente a mais famosa do país. Na mesma região também é possível visitar o Mercado Khan Al Khalili. Uma dica pouco conhecida e que acho imperdível é assistir o espetáculo de Tannoura, dança típica egípcia baseada nas tradição mística do islamismo (sufismo). O grupo se chama Al-Tannoura Egyptian Heritage Dance Troupe e o show acontece cerca de 3 dias da semana (creio que sábados, segundas e quartas-feiras, mas vale a pena confirmar) as 19h30, mas é recomendável chegar 1h antes para conseguir assento nas primeiras fileiras. Tudo isso pode ser visitado tranquilamente em 1 dia e recomendaria o Uber como locomoção entre os locais.
  • Pirâmides – não se localizam exatamente no Cairo mas em cidades satélites da região metropolitana. Para ganhar tempo recomendo a contratação de um guia com transporte para poder visitar 3 locais: Complexo de Djoser (a famosa pirâmide de degraus), Memphis, e o Complexo de Gizé (com a grande pirâmide e suas duas irmãs, e a esfinge). Algumas pessoas preferem fazer esse passeio de forma individual, o que não recomendo. Os 3 complexos são distantes um do outro e sozinho não é possível visitar todos no mesmo dia. No mesmo passeio o guia me levou no Museu de Papiro o que foi interessante para conhecer todo o processo de produção do mesmo.
  • Museu Egípcio – localizado nas proximidades da Praça Tahrir contendo um enorme acervo de antiguidades, inclusive as relíquias encontrada no túmulo de Tutancâmon. Diria que cerca de 4 horas são suficientes para visitar o local, mas para pessoas mais meticulosas e interessadas no assunto podem perder o dia neste museu. Outro conselho é deixar esse ponto como o último local visitado no Cairo, se possível na viagem.

 As dicas acima são o básico, mas existem outros passeios possíveis como a Ilha Gezira, localizada no Nilo nas proximidades da Praça Tahrir, Jantar em um navio, Cidade do Lixo, Cidade dos Mortos, dentre muitos outros.

Alexandria

Por falta de tempo não visitei esse destino em minha viagem por priorizar outros locais e destinos. Em minhas pesquisas os relatos foram conflitantes sobre a cidade, com algumas pessoas gostando bastante e outras frustradas com a visita. É possível fazer tanto como uma day trip a partir da base do Cairo, ou dormir uma noite em Alexandria. Um conselho que daria pra quem optar pelo day trip é evitar fazer o trajeto de carro. Muitas pessoas ficam horas presas no trânsito da estrada. Melhor optar pelo trem.  Algumas das principais atrações de lá são: Biblioteca de Alexandria, Montazah Palace Gardens, Cidadela de Qaitbay, Serapeum, Museu Nacional, Catacumbas de Kom El Shoqafa, Mesquita de Abul al-Abbas al-Mursi, dentre outras. 

Aswan

Localizada quase no extremo sul do Egito foi a região que mais me surpreendeu. Em primeiro lugar porque o povo predominante na região não é árabe, mas núbio, povo negro da região que possui uma história a parte, inclusive com um império próprio durante alguns séculos. 

Existem duas formas de se chegar a cidade. Avião com voos regulares e o trem, normalmente noturno, que demora cerca de 10/12 horas a partir do Cairo. Para estrangeiro normalmente é vendido apenas bilhetes para o trem dos turistas, que particularmente acho que não compensa por ter custo na faixa dos 100 dólares. Mas pela internet é possível comprar bilhetes para os trens locais, que foi minha opção, com as classes superiores custando algo em torno de 10 dólares.

A região onde se hospedar em Aswan também vai muito das preferências individuais. Muita gente prefere a região central da cidade por ser mais prático e econômico. Pessoalmente optei pela Ilha Elephantine pela região possuir uma atmosfera própria. Quem deseja uma opção mais luxuosa, porém mais distante, existe o Old Cataract (Sofitel Legend Old Cataract Hotel), muito famoso pelas figuras notórias que lá se hospedaram e também por ser o local onde se passa o livro “Morte no Nilo” de Agatha Christie. Minha recomendação para hospedagem na cidade é de 2 dias.

Abu Simbel, monumento faraônico construído por Ramses II em sua própria homenagem, além de um outro menor para sua esposa favorita Nefertari, é a principal atração da região. Também foi o local que mais me impressionou em todo Egito, tanto por sua beleza quanto estado de preservação e sua visita é imperdível. O acesso é um pouco difícil, pois ele se localiza 2 horas ao sul de Aswan, a beira da Represa Nasser, quase na fronteira com o Sudão. O passeio deve ser agendado com antecedência e costuma sair por volta das 4h da madrugada, com retorno no horário do almoço, entre 11h e meio dia. Deve ser agendado com antecedência, por isso é bom conversar com seu hotel sobre o tour antes mesmo de chegar a cidade.

Abu Simbel

Outras atrações da cidade são: Museu Núbio, Catedral Copta, Templo de Philae, Gharb Sehel, Obelisco quebrado, dentre outros. 

Cruzeiro no Rio Nilo

Luxor e Aswan são os destinos de origem e término da maior parte dos cruzeiros pelo Rio Nilo. Durante minha pesquisa para a viagem vi que era possível adquiri-lo através de agências no Brasil, porém seu custo era elevado. Buscando mais informações descobri que comprando diretamente na própria cidade o custo era muito reduzido, cerca de 50 dólares por dia, com um bom nível de conforto e alimentação. Percebe-se que o navio já viu épocas melhores, com uma decoração um pouco decadente que claramente já viu tempos melhores. Isso acontece porque os Cruzeiros pelo Rio Nilo foram um dos setores que mais sofreram com a crise do turismo. Pessoas da região me afirmaram que anos atrás haviam cerca de 80/100 barcos fazendo diferentes rotas por todo nilo, alguns cruzando praticamente todo o Egito, de Aswan até o Cairo. Hoje apenas em torno de 20 navios continuam em funcionamento, quase que exclusivamente trabalhando apenas entre Aswan e Luxor por questões de segurança. 

Pessoalmente considero este cruzeiro uma experiência muito positiva. Suas principais paradas são no Templo de Kom Ombo e Edfu, região que particularmente me parece que sofre também bastante com a escassez do turismo. Achei a abordagem de seus habitantes com os turistas muito agressiva. 

Edfu

Luxor

Meu último destino da rota histórica pelo Rio Nilo e conhecida no passado como Tebas. Muita gente visita esse destino antes de Aswan, mas pessoalmente prefiro fazê-lo por último por se tratar de um centro urbano mais populoso e mais próximo da capital. Dessa forma existem um maior número de opções de transporte e menor tempo de deslocamento.

O local para se hospedar na cidade também é controverso e depende muito das preferências individuais de cada um. Eu optei em ficar no centro da cidade pela praticidade, mas existem opções com maior conforto e luxo afastadas do centro e localizadas na margem do Nilo. O mínimo recomendável para se visitar a região são 2 dias completos, um terceiro dia (ou até mais) são opcionais para conhecer atrações menos populares ou mais afastadas. O hotel onde me hospedei vendia pacotes com guia e transporte para visitar a região. Contratei e recomendo o mesmo para todos. 

Os passeios básicos de Luxor se dividem da seguinte forma:

  • Margem leste do Nilo – inclui os magníficos Templos de Luxor e Karnac, localizados dentro da cidade de Luxor.  São enormes, bem preservados e distantes 3 quilômetros um do outro. Um guia é fundamental para entender todos os detalhes.
  • Margem oeste do Nilo – deste lado do rio as atrações ficam longe da cidade e distantes umas das outras. Dessa forma, assim como falei anteriormente, é importante contratar previamente um guia com transporte. Dentre as principais atrações dessa parte temos: Templo Mortuário de Ramses III (Madinet Habu), o Mausoléu de Hatshepsut, e o Vale dos Reis.

Outro passeio recomendável é o de feluca, veleiro típico egípcio, realizado normalmente no por do sol. Para quem deseja fazer algo diferente existe um passeio de balão para ver o alvorecer na região. Além de outros museus e sítios arqueológicos. 

Feluca

MAR VERMELHO

Muitos não sabem, mas o Egito não é apenas história e antiguidades. Também há praias por lá, já que o país é banhado pelo Mediterrâneo ao norte e o Mar Vermelho ao leste. 

O Mar Vermelho possui alguns dos balneários mais famosos e frequentados no Egito, especialmente na região do Sinai onde após a devolução do território por Israel passou a investir fortemente em turismo.

Pessoalmente diria que as praias egípcias são muito diferentes das brasileiras por se localizarem em regiões desérticas. A temperatura, limpeza e visibilidade da água são excepcionais, além de possuir uma beleza muito própria. E para quem é praticante de mergulho alguns dos melhores pontos do mundo se localizam por lá. 
Dividiremos então as informações do Mar Vermelho em duas regiões.

Península do Sinai

Região com as praias mais famosas do país dado o grande investimento em turismo nas últimas décadas com a construção de inúmeros hotéis, resorts e uma grande estrutura.

O principal destino na região é Sharm el-Sheikh, e também principal porta de entrada graças ao seu aeroporto que recebe vôos locais de outras cidades do Egito, regionais com rotas com países próximos como a Jordânia, e internacionais, inclusive com empresas lowcost européias fazendo vôos sazonais para a cidade. 

Sharm El Sheik

Também é possível viajar de ônibus a partir do Cairo. Mas é uma viagem um pouco demorada, cerca de 6/8 horas, muitas vezes com bloqueios militares para revista dos passageiros. Apesar das praias do Sinai serem uma região tranquila existem problemas de segurança, inclusive envolvendo grupos terroristas, no centro e norte da península. 

Os resorts na região têm preços extremamente acessíveis, sendo possível encontrar opções de 5 estrelas no regime all inclusive a partir de 50 dólares dia. Entretanto a qualidade entre os diversos estabelecimentos varia muito sendo recomendável pesquisar as notas de avaliação e reviews dos antigos hospedes em locais como Booking e Tripadvisor. 

Outra informação importante é procurar hoteis que tenham praia privativa e seu próprio “house reef” para os hospedes praticarem snorkel. 

House Reef

Outra opção de hospedagem exclusiva para mergulhadores são os “liveboards”, embarcações preparadas para a prática dessa atividade, com roteiros de vários dias cobrindo os principais pontos da região. Dentre os mais famosos estão o Parque Nacional Ras Mohamed e o SS Thistlegorm, navio britânico afundado durante a II Guerra Mundial.

Além de aproveitar as praias os resorts oferecem vários passeios: camelo e quadriciclo no deserto, visita ao Monte Sinai (que possivelmente não corresponde ao “verdadeiro” Monte Sinai), mergulho com golfinhos, tour de barco, Hard Rock Cafe é centro da cidade, dentre outros. 

Outra cidade em que dividi minha estada no Mar Vermelho foi Dahab, localizada 1 hora ao norte de Sharm el-Sheikh. Trata-se de um destino com uma alma mais mochileira, com opções mais simples e mais baratas de hospedagem, e muitos estrangeiros residindo e abrindo negócios (hospedagens, centro de mergulho, restaurantes, etc) na cidade. Foi o local que mais gostei da região. Em Dahab se localiza o Blue Hole, outro ponto de mergulho famoso. 

Uma terceira opção na região, que não conheci, é Nuweibaa, localizada 1 hora ao norte de Dahab. O turismo por lá ainda é muito incipiente, com poucas opções de hospedagem, boa parte delas de baixo custo como campings e vilas de beduínos. 

Mar Vermelho fora do Sinai

Muitas pessoas não desejam visitar o Sinai, tanto pela maior distância dos maiores centros urbanos do país, quanto por preocupações relacionadas a segurança. Nesse caso o principal destino é Hurghada.

Não visitei essa região, mas os relatos dos turistas dessa cidade são muito semelhantes aos de Sharm el-Sheikh, com uma ampla oferta de hotéis e resorts, além de uma boa infraestrutura turística.

Outra opção que vem despontando nos últimos anos é Marsa Alam. Esse balneário se localiza no sul do país com acesso mais difícil. Entretanto a região tem investido em exclusividade, supostamente com um nível de luxo superior ao de outras opções no país.

Sensacionais as dicas do Fábio, não é mesmo? E olha que ele ainda está preparando um post sobre a Jordânia para nós!

Valeu, Fábio! Estamos todos aguardando suas dicas sobre Petra, Aqba etc …