O Egito está na lista de lugares a conhecer de muita gente, inclusive eu. Como é um país de cultura muito diferente da nossa, é necessário um planejamento mais minucioso dessa viagem. O leitor Fábio B. generosamente decidiu compartilhar a sua experiência no país com a comunidade Milhas e Destinos. Desde já, todos agradecemos a gentileza.

Vamos aos posts!

A ideia deste guest post surgiu a partir da publicação “Lista de desejos: companhias aéreas e destinos” (clique aqui para ler) onde muitos leitores do blog relataram na seção de comentários seu desejo de visitar o Egito.

Como recentemente (abril/2018) visitei o país tentei contribuir com algumas dicas em comentários isolados. E então surgiu o convite para escrever um conteúdo específico para o blog. 

Meu objetivo nesse post é primeiro dar um panorama geral do país. Em seguida falarei um poucos dos principais destinos do Egito complementando com o meu dia a dia durante a viagem. Também tomei a liberdade de incluir informações da Jordânia, já que são países praticamente vizinhos e é totalmente possível associá-los em uma só viagem. 

É seguro viajar no Egito?

Essa talvez seja a principal dúvida de quem deseja conhecer o país tanto pelos recentes eventos da Primavera Árabe, que levaram a deposição do governo, quanto por alguns atentados terroristas, que inclusive atingiram turistas, nas últimas décadas.

Todas essas questões levaram a uma queda expressiva do turismo, uma das principais fontes de receita do país, levando a uma crise econômica e profunda desvalorização da moeda local.

Com isso houve grandes esforços governamentais, especialmente em segurança, para reverter o declínio do turismo. Estes tornaram o país seguro novamente para os viajantes, entretanto o número anual de viajantes no país está muito aquém de patamares anteriores a crise.

Pessoalmente posso relatar que em toda minha experiência de viagem em nenhum momento tive alguma sensação de insegurança, inclusive andando a pé em algumas regiões pobres do Cairo, durante a madrugada, e usando transporte público.

Além disso, regiões turísticas e com grande circulação de pessoas têm atenção especial do governo. Existem detectores de metais e verificação de volumes por raio-x nas principais estações de metrô e trem, assim como nas principais áreas turísticas.
Isso garante 100% a segurança? Claro que não, mas esse problema não é uma exclusividade egípcia.

As rotas usualmente visitadas pelos turistas são o eixo do Rio Nilo (Alexandria – Cairo – Luxor – Aswan) e as praias do Mar Vermelho. Estas regiões são seguras. Por outro lado , fora disso existem locais pouco recomendados de serem visitados, como o deserto ao oeste do país, especialmente próximo a fronteira da Líbia, e partes da região central e noroeste da Península do Sinai, em particular nas proximidades da Faixa de Gaza.

O assédio aos turistas

Esse é um ponto relatado em maior ou menor grau pelos turistas no Egito. Muitas comerciantes são extremamente chatos e insistentes com os viajantes. A melhor estratégia nesse caso é ignorá-los e passar reto pois eles enxergam a menor atenção como um potencial interesse para compra.

Também existem alguns pequenos golpes para tentar enganar turistas como:

  • O falso amigo – o comerciante aborda o turista na rua e faz perguntas básicas como sua nacionalidade. Em seguida o convida para sua loja onde oferece um chá. Em seguida oferece seus produtos fazendo uma certa chantagem emocional que muitas vezes surte resultado.
  • O presente – o comerciante te dá algo “de presente” como um turbante árabe, chapéu ou camiseta, pedindo muitas vezes para você vestir o item. Em seguida passa a seguir o turista pedindo dinheiro em troca pelo presente. E o que recebe nunca é suficiente. Pessoalmente presenciei esse golpe sendo aplicado em algumas pessoas nas pirâmides.
  • O camelo – o turista combina um preço para tirar uma foto em cima do camelo, com o comerciante em seguida não ordenando do camelo se abaixar, cobrando um “extra”, que muitas vezes ultrapassa o preço inicial para seu cliente descer.

PS – algo curioso, e provavelmente uma grande mentira em todos os casos, é que muitos comerciantes no Cairo mostraram uma foto de Muhammad Ali num local onde alegam ser sua loja. Eles contam que o boxeador foi cliente da loja durante a estada no país, e amigo de seu pai. Não é um golpe mas uma particularidade que percebi muitas vezes, feita talvez para impressionar os turistas.

Um detalhe que vale a pena destacar é que egípcios seguem a cultura árabe, onde na maioria dos casos não existe etiqueta de preço nas lojas, sendo que todo produto precisa ser negociado o que algumas vezes é desgastante. Vale destacar deixar claro em toda negociação que o preço discutido é na moeda local, a libra egípcia. Já ouvi relatos de turistas que após negociar um preço o comerciante alegou que o valor era em dólares ou libras esterlinas.

Outro ponto problemático são os táxis. Nunca entre num carro sem antes negociar claramente o preço e o destino, o que muitas vezes pode ser complicado já que a maioria dos motoristas não falam inglês. Entretanto Cairo já é servido pelo Uber o que pouca o turista de todo o desgaste da negociação.

Também já li alguns relatos na internet de assédio de homens egípcios com mulheres visitando o país. Ela comentam “propostas” e comentários indecentes e em poucos casos serem seguidas. Mas nada mais grave aconteceu. Pessoalmente posso relatar que alguns homens egípcios enxergam a mulher como uma propriedade do homem. Inclusive durante meu passeio em Luxor um espanhol me contou que um habitante da região perguntou se ele tinha interesse em vender sua esposa.

Porém existem formas de minimizar o assédio aos turistas, sejam eles homens e mulheres, e a principal delas é respeitando a cultura local, especialmente no que tange a vestimenta. É bom evitar bermudas e roupas mais curtas nas cidades (nas praias essa vestimenta está liberada). Para mulheres andando sozinhas também é recomendável usar um lenço islâmico no rosto do mesmo modo que as habitantes locais. Entretanto, para mim nenhuma dessas dicas funcionou já que tenho 1m93 de altura e sou loiro, totalmente diferente do biotipo egípcio.

Visto

Brasileiros precisam do visto, mas não é necessário ir ao consulado. É um selo que pode ser adquirido no aeroporto antes dos trâmites de imigração pelo preço de 25 dólares. O visto tem validade de 30 dias e vale para uma única entrada. 
Turistas que ficarem apenas no Sinai, sem visitar outras regiões do país, e com uma estada menor (creio que apenas 2 semanas), são isentos de visto. Mas essa particularidade provavelmente não atende os brasileiros. É mais voltada para russos e europeus que fogem do inverno rigoroso de seu país para aproveitarem os resorts da região. 

Melhor época

No inverno faz mais frio do que muitas pessoas imaginam. No verão as temperaturas em algumas regiões desérticas podem beirar os 50°C.
O ideal é visitar o país na meia estação. As épocas mais indicadas são entre meados de março e maio, e meados de outubro e o mês de novembro.

Outra informação importante é evitar visitar o país durante o Ramadã, pois muitos estabelecimentos fecham durante o dia, e pode haver dificuldades de ordem prática, como se alimentar durante o dia, em alguns locais. Normalmente o Ramadã ocorre entre o final de abril e maio, entretanto as datas exatas são móveis e mudam de ano a ano.

Necessidade (ou não) de guia ou agência de turismo

Egito não é um país tão simples para viajar como os mais populares visitados por brasileiros e necessita de alguma pesquisa. Nos meses que antecederam a viagem estudei bastante pela internet e fiz todo meu planejamento de forma independente, e viajando assim é possível economizar um bom dinheiro.

Agências no Brasil tratam o Egito como um destino exótico, colocando preços que não correspondem a realidade daquele país. Em minha experiência elas cobram entre 2 e 3 vezes o valor que custaria tudo caso fosse contratado individualmente então não recomendaria as agências com exceção válida para quem não se importa com esse montante gasto a mais.

Entretanto um guia para visitar algumas das principais atrações é altamente recomendável, dado que suas explicações enriquecem muito a visita. Muitas hospedagens em Cairo e Luxor oferecem tours em grupo por preços acessíveis incluindo transporte. Mas antes de viajar é bom checar essas informações e seu preço com os hotéis. 

Outra opção muito utilizadas, principalmente por famílias e pessoas mais inseguras em viajar sozinhos, e a contratação de receptivos e guias locais. Nesse caso não poderia indicar nenhum nome, mas o custo desse serviço é muito mais acessível que em países vizinhos como Israel. 

Outras informações

O idioma utilizado no país é o árabe. Em locais de interesse turístico é fácil encontrar quem fale inglês, e muitas vezes outras línguas como alemão, espanhol e até mesmo português. Um ponto importante de se destacar é que o alfabeto árabe é diferente do ocidental, inclusive na grafia dos números. Antes de viajar me atentei a esse detalhe e deixei gravado em meu celular uma “cola” com essas informações, o que acabou sendo útil para casos como descobrir a composição de trem que deveria entrar e também o local de meu assento.

A moeda local, como já relatei, é a libra egípcia. Em abril/2018, durante minha viagem, um dólar era equivalente a aproximadamente 18 libras. 
Algo importante de relatar é que não existe a necessidade de trocar dólares em casas de câmbio. É possível fazer a operação em caixas eletrônicos numa cotação extremamente justa.

O fuso horário egípcio e o UTC+2, ou seja, 5 horas a mais que o horário de Brasília.
O padrão de tomadas utilizado no país é o redondo de 2 pinos e a voltagem é 220. 
Antes de minha viagem obtive a informação de que é necessário o certificado de vacinação contra febre amarela para visitar o Egito. Este documento não me foi cobrado em nenhuma das duas entradas no país, mas vale a pena confirmar sua necessidade com a empresa aérea contratada para o voo. 

Quem nunca viajou para países islâmicos também deve ficar atento com as sextas-feiras, considerado dia sagrado de descanso para a religião, sendo que muitos estabelecimentos e pontos turísticos não funcionam neste dia. Dessa forma, ao planejar uma viagem é bom sempre verificar os dias de visitação e horários de funcionamento das principais atrações para evitar problemas posteriores. Também vale destacar, apesar de óbvio, que para visitar mesquitas e outros pontos de interesse islâmico deve ser seguido o código de vestimenta dessa religião.

Sobre a escolha de hotéis já vi reclamações pontuais sobre o nível de alguns estabelecimentos do Egito, que poderiam estar abaixo de seus correspondentes ocidentais. Pelo que observei isso não acontece em bandeiras internacionais ou estabelecimentos de grande porte, mas é relativamente comum em hotéis menores e redes locais. Nesse caso vale a dica de sempre se hospedar uma estrela acima do padrão desejado.

Encerro essa primeira parte por aqui. Nos próximos dias farei posts específicos sobre os destinos que visitei no Egito e na Jordânia.