Continuando o tutorial, o Carlos agora vai falar sobre como ter um endereço válido nos EUA.

A maioria das instituições financeiras americanas só envia cartões para endereços nos EUA. O Bank of America (BofA), por exemplo, permite que o seu endereço físico cadastrado no banco seja brasileiro, mas é necessário cadastrar um endereço americano para envio de correspondências.

Alguns bancos, para a simples abertura de conta corrente, podem exigir um comprovante do endereço nos EUA através de uma utility bill (conta de telefone fixo, gás, água, energia elétrica…), às vezes em nome do cliente. Isto é extremamente subjetivo e varia de estado a estado, banco, agência e até mesmo atendente.

Se ao tentar abrir sua conta corrente, o atendente solicitar o comprovante de endereço através de uma utility bill e não for possível continuar, não é motivo para desistência. Procure outra agência, outro banco ou tente em outro estado.

Dos destinos turísticos mais comuns, no estado de Nova Iorque esta exigência parece ser padrão. Mas é facilmente resolvido com um metrô para o estado vizinho de Nova Jersey. Já na Flórida, a possibilidade de sucesso parece ser mais efetiva, sendo uma questão, eventualmente, de tentar outras agências.

Abri minha conta em St. Louis. Na primeira agência do BofA que tentei, o diálogo se encerrou em um minuto. Sem SSN e utility bill, a atendente disse que não tinha como abrir minha conta.

Depois de tanta pesquisa, achei que o processo ia ser mais complicado do que estava esperando, mas bastou ir em outra agência a poucos minutos de distância para o processo ser efetivado tranquilamente

De qualquer forma, como se obtém um endereço americano?

Quem tem parentes ou pessoas de confiança morando nos EUA tem a vida facilitada, basta fornecer o endereço. Utilizar o endereço do hotel ou AirBnB também é possível, mas desaconselhável. Os cartões costumam chegar em torno de uma semana, mas no longo prazo é melhor ter um endereço fixo na construção do seu histórico financeiro americano, ou ao menos não modificá-lo a cada viagem.

É possível fazer a alteração online do endereço, mas às vezes não funciona. O BofA, por exemplo, exige que o endereço seja verificado pelo serviço postal americano (USPS). O sistema não aceitava o complemento (2ª linha) que eu colocava e inviabilizava a mudança. O gerente da conta também disse que não podia fazer isto pelo telefone, teria de ser presencialmente. No final, consegui ligando na central telefônica do banco, mas foi complicado pois a URA não reconhecia o número da minha conta (não sei se por estar ligando através do Skype) e demorei várias ligações até consegui falar com o atendente correto e fazer a verificação de segurança antes de efetivar a mudança.

A solução mais comum para o endereço é o uso de redirecionadores (mail forwarding). São empresas especializadas em receber suas correspondências ou encomendas e depois enviá-las para o endereço desejado. Há uma série de empresas que ofereçam este serviço gratuitamente, mas é necessário cuidado.

O primeiro de todos é verificar se o endereço que a empresa fornecerá está listado como “comercial mail receiving agency” (checar em https://tools.usps.com/go/ZipLookupAction!input.action, dica do Canadian Kilometers). Se sim (Y), a instituição pode recusá-lo, por não aceitar enviar a correspondência para caixas postais ou redirecionadores.

O segundo, checar se o redirecionador (há vários não listados como tal) aceita receber correspondências com cartões bancários dentro. O mais famoso, como Shipito, explicitamente indica que não receberá estes envelopes. Também já li que o Qwintry também não aceita, apesar de não estar especificado no seu sítio.

Havendo pesquisado isto, escolhi uma empresa gratuita bem avaliada online, sem muitas reclamações, chamada My Mall Box. Quando criei o endereço, não havia indicação de restrição ao recebimento de cartões bancários (embora agora ).

Foi uma má escolha. Nunca recebi qualquer aviso de recebimento das duas correspondências enviadas para lá, os cartões de débito e crédito do BofA.

A impressão que fiquei foi que estes redirecionadores gratuitos são especializados em recebimentos de encomendas e obtém seu lucro no envio de objetos de maior volume, tendo pouco interesse em receber e enviar correspondências simples, em envelopes. Mas os leitores podem informar exemplos destes serviços que funcionaram.

Como não queria continuar arriscando envios dos cartões sem certeza da efetividade e, possivelmente, me queimar com o banco, resolvi partir para uma solução profissional. Pesquisei empresas pagas, especializadas em envio de correspondências.

Achei opções muito bem avaliadas, a principal dificuldade é que a maioria estava listada como “mail receiving agency”. Em uma, contudo, dos três endereços oferecidos, um era recente e aparecia com (N) na pesquisa.

Escolhi o Virtual Post Mail, em Delaware. Tem custo mensal de U$ 15, mas estou bastante satisfeito com o serviço. Toda correspondência que chega tenho a opção de pedir que seja escaneada e decidir se quero recebê-la ou descartá-la. Posso esperar até 60 dias para decidir e, neste tempo, acumular outras correspondências para envio.

Receber em Brasília dois envelopes com cartão e contrato (o que mais pesa e faz volume) no envio normal, sem rastreio, leva umas três semanas e custa em torno de U$ 25. No envio expresso por UPS, quatro dias úteis e U$ 105.

Para utilizar este serviço, é exigido o preenchimento de um formulário (USPS Form 1583) autorizando que a empresa receba suas correspondências. A assinatura precisa ter firma reconhecida, o que pode ser feito em algumas agências bancárias americanas ou através de um tabelião online via videoconferência, que me custou U$ 75.

Para acessar os demais tutoriais dessa série, clique nos links abaixo:

[Guest Tutorial]: Cartão de crédito e conta corrente nos EUA – Introdução

[Guest Tutorial]: Cartão de crédito e conta corrente nos EUA – Parte 1 > contém orientação básica sobre documentação e requisitos

[Guest Tutorial]: Cartão de crédito e conta corrente nos EUA – Parte 2 > trata da exigência de endereço nos EUA[

[Guest Tutorial]: Cartão de crédito e conta corrente nos EUA – Parte 3 > trata da exigência de telefone nos EUA

[Guest Tutorial]: Cartão de crédito e conta corrente nos EUA – Parte 4 > trata da conta corrente 

[Guest Tutorial]: Cartão de crédito e conta corrente nos EUA – Parte 5 > trata dos cartões com caução, o FICO score e estratégias para obter o cartão sem caução

[Guest Tutorial]: Cartão de crédito e conta corrente nos EUA – Parte 6 > fala sobre como aplicar para cartões que não exigem caução

[Guest Tutorial]: Cartão de crédito e conta corrente nos EUA – Parte 7 > dá um panorama das opções de cartões americanos

[Guest Tutorial]: Cartão de crédito e conta corrente nos EUA – Parte 8 > fala exclusivamente sobre o AMEX