Assim como muitos, eu tenho milhas em diversos programas e cartões de crédito. Uma questão importante é ter uma estratégia de utilização dessas milhas para que o seu valor seja otimizado. Então, decidi compartilhar com vocês como eu uso as minhas milhas.

Em primeiro lugar, eu tenho como princípio só gastar milhas para emitir passagens, mas nunca em voos domésticos. Jamais. Se é para usá-las, eu as uso para tomar champagne Krug de preferência comendo caviar para depois dormir deitada durante o voo. Mas isso sou eu, ok? Tem gente que tem perfil para gasto doméstico e não há nada de mal nisso.

Em segundo lugar, é necessário fazer a distinção entre quantidade e valor da milha. Alguns programas exigem uma quantidade maior de milhas para um determinado trecho, mas o valor da milha é mais baixo. Seja porque é possível comprar com desconto ou transferir do cartão com bônus, etc.

Em terceiro lugar, eu divido as milhas em fixas e flutuantes: as fixas são aquelas que sou obrigada a gastar com determinado programa e as flutuantes são as provenientes de cartões de crédito e do Livelo, em que posso escolher para qual programa eu quero mandar e quando eu quero mandar.

Eu tenho milhas fixas no AAdvantage, LATAM Fidelidade, BAEC, Iberia Plus, Smiles, Lifemiles e Amigo.  Aqui já há uma divisão importante.

1 – O AAdvantage e o LATAM Fidelidade são ambos do Oneworld, assim como o BAEC e o Iberia Plus

2 – O Lifemiles e Amigo são ambos parceiros da Star Alliance.

3 – O Smiles tem parceiras híbridas, com foco no Skyteam e nas três companhias do Oriente Médio – as ME3 (Middle East 3). Há resgates com a TAP, Copa e Air Canada mas, para mim, só a Air Canada interessaria.

AADVANTAGE, LATAM FIDELIDADE, BAEC e IBERIA PLUS

A milha que mais vale é, sem dúvida, a milha AAdvantage, já que os meios para acúmulo são mais restritos do que no LATAM Fidelidade via Multiplus. Logo, se o trecho que eu desejo resgatar tem disponibilidade na Multiplus por um valor razoável, dou preferência a esse gasto.

Por exemplo: O Multiplus cobra 100.000 o trecho em executiva para a Europa para voar com as parceiras Oneworld British Airways e Iberia, ao passo que  o AAdvantage cobra 87.500 milhas, 12.5% a menos. Só que as milhas AAdvantage não valem 12.5% a mais. Logo, eu vou usar a Multiplus para esse resgate.

A mesma lógica eu aplico para os resgates com a Qatar entre Europa e Oriente Médio. Ao passo que o AAdvantage cobra 62.5k por uma First, a Multiplus cobra 65k. Sem dúvida, usarei meus pontos Multiplus.

Eu só uso a AA para voar quando a tabela é muito mais vantajosa e com companhias que normalmente eu não encontro disponibilidade na Multiplus como a JAL e a Qantas, por exemplo. E também tem a Etihad, que não é parceira Multiplus (mas é Smiles).

Meu uso do BAEC e Iberia Plus está confinado às hipóteses de promoções ou voos de curta distância. A quantidade de Avios a serem utilizados depende da distância da rota e os maiores benefícios são nas rotas curtas em executiva dentro da Ásia ou em voos domésticos nos EUA. Só acumulo comprando Avios via promos do Groupon da Espanha, o que faço com parcimônia, mas com frequência.

LIFEMILES E AMIGO

O ponto Lifemiles vale mais do que o ponto Amigo para mim. O Amigo eu posso comprar ponto Livelo com desconto e fazer transferências bonificadas. O Lifemiles me demanda a compra de pontos, que eu faço em pequenas quantidades quando há promos.

Mas eu levo em consideração a questão da taxa de combustível, que o Lifemiles não cobra de nenhuma parceira Star Alliance em nenhum trecho por conta da legislação consumerista colombiana.

Logo, em voos saindo do Brasil, eu tendo a usar o Amigo, ao passo que em voos entre outros continentes eu tendo a usar o Lifemiles.

Nesse caso eu pondero a disponibilidade do trecho e a quantidade de pontos exigidos. Tanto o Lifemiles como o Amigo não enxergam certas companhias aéreas. O Amigo não vê a EVA Air, mas o Lifemiles constantemente tem disponibilidade – até porque tem codeshare com a empresa taiwanesa.

SMILES

Aquele que já foi um ótimo programa de milhas hoje em dia é complicado para o meu estilo de resgate. É meu programa de escolha para emitir classe executiva da Qatar entre Europa e Oriente Médio: são 50.000 milhas. É mais do que o AAdvantage e a Multiplus cobram para o trecho.

Entretanto, a milha Smiles mais em conta, com dupla promo, pode ser valer R$ 0,018. A milha AAdvantage não sai por menos do que USD 0,018 com uma super promo de compra, o que equivale a R$ 0,70, se considerarmos o IOF incidente.

Outro bom resgate é com a Korean Air. Os valores estão justos – cerca de 80.000 milhas entre Europa e Seoul e há boa disponibilidade.

Também são interessantes os resgates da Air Canada entre Ásia e América do Norte. É possível encontrar executiva por 130.000 o trecho, que apesar de, em quantidade de milhas ser mais do que o Lifemiles exige, na questão do valor, a Smiles sai ganhando.

É possível, também, fazer alguma ginástica com duas promos simultâneas e conseguir um bom valor com a Delta em executiva – se bem que isso está muito raro hoje em dia.

PONTOS LIVELO E CARTÃO DE CRÉDITO

Permanecem onde estão até que haja alguma ótima promoção para transferir pontos com vistas à emissão a curto ou médio prazo. Não me arrisco a ficar com milhas paradas depois do evento TAP Victoria. Tive que emitir uma passagem que não tinha previsão de emitir só para não perder a oportunidade. Acertei na decisão, mas agora tenho que fazer uma reza forte para que não ocorram imprevistos até a data da viagem.

E vocês? Qual é a estratégia que vocês utilizam para usar as milhas acumuladas nos programas e nos cartões?