O grupo Lufthansa mostrou ontem a sua nova classe premium economy que deve ser instalada nas novas aeronaves B777X, esperada para fins de 2020. Além disso, ontem foi Capital Markets Day e a transportadora alemã revelou seus planos para a implementação de um novo jeito de tarifar os bilhetes.

Em relação à nova premium economy, a Lufthansa optou por assentos com uma tela de entretenimento individual bem maior. Mas o assento em si é do tipo slimline, com pouquíssimo acolchoamento, encontrado na classe econômica.

A implementação da nova cabine será feita da seguinte forma:

  • Lufthansa B777X – começando no final de 2020
  • SWISS B777-300ER – começando no início de 2021
  • SWISS A340-300 – começando em meados de 2021

Quanto à nova tarifação, a ideia é comercializar uma tarifa base em todas as cabines e oferecer pacotes para uma experiência individualizada. A First estaria excluída dessa reformulação, já que conta com todos os “opcionais” em todas as tarifas.

O grupo Lufthansa vai oferecer uma tarifa base com a opção de individualização da experiência a bordo com dois pacotes a serem cobrados em cima da tarifa básica: o simples e o plus.

Os passageiros poderão optar por agregar ou não serviços específicos à sua viagem tais como marcação antecipada de assentos ou a escolha de refeições mais simples ou mais elaboradas, etc. Isso será especialmente relevante na executiva do B777X, já que a nova configuração inclui alguns assentos-trono.

Classe executiva da Lufthansa no B777X

A partir de dados estatísticos, o grupo Lufthansa criou grupos sociográficos que representam tipos de passageiros que buscam experiências diferentes com base nas suas necessidades individuais. O passageiro que busca eficiência durante o voo, por exemplo, geralmente viaja em econômica em voos de curta duração. Já aquele que busca exclusividade, geralmente está viajando para relaxar, o que o leva a buscar cabines premium na sua viagem, independentemente se é de curta ou longa duração.

Na semana passada, a Emirates anunciou que também mudará a sua oferta na classe executiva, passando a oferecer uma tarifa base, sem direito a motorista, acesso ao lounge e marcação antecipada de assentos.

Apesar de serem abordagens diferentes – aquela do grupo Lufthansa aparentemente oferece mais flexibilidade nas escolhas que podem ser feitas pelos passageiros – acredito que as reformulações da Emirates e da Lufthansa são a mais nova tendência do mercado para cabines premium.

Parece que está havendo um transplante do modelo de vendas das empresas de baixo custo, em que o passageiro pode optar por acrescentar diversos serviços a uma tarifa base.

A individualização das escolhas – marcação de assentos, opção de menu, quantidade de malas despachadas etc – parece ser um meio mais justo de cobrança. Entretanto, para ser justo é necessário que a tarifa base seja mais barata do que aquela que hoje é oferecida, já que a atual inclui a experiência total.

E esse é o maior medo dos consumidores: vender uma suposta melhora nos serviços como mero pretexto para aumentar os valores cobrados.

Os exemplos da British Airways e da SWISS são emblemáticos. A British Airways foi pioneira nesse sentido: há anos que cobra e cobra caro pela marcação de assento nas cabines premium. A SWISS, por sua vez, depois do retrofit das suas cabines, também bloqueia o acesso ao trono até 48 hrs antes do horário de partida do voo.

Ambos são emblemáticos porque não houve nenhuma queda de preço no valor da passagem: apenas passou-se a pagar mais por algo que já estava embutido no custo do bilhete.

Assim, a ideia de personalização dos serviços será ótima se houver um realinhamento dos preços das passagens. Basta saber se as empresas estão efetivamente buscando aperfeiçoar a experiência do passageiro ou se esta é somente outra estratégia para cobrar mais pelo mesmo serviço.