Ou melhor: a assessoria de imprensa do Amigo, programa de milhas da Avianca Brasil, me ligou no dia 24 de outubro para esclarecer o aumento de 20% que publiquei por ocasião da conversa com o diretor do programa (clique aqui para ler).

Vou reproduzir, in verbis, o que e como eu escrevi  naquele post a respeito desses 20%:

Segundo ele, a empresa fez um levantamento das 15 rotas mais populares entre os clientes e manterá mais da metade com a pontuação atual.

O maior aumento está na casa dos 20%, mas também houve uma quantidade significativa de rotas que demandarão menos milhas.

E o que o Amigo queria falar comigo?

1 - A informação por mim passada não está errada - isso foi bem sublinhado na conversa, mas o maior aumento de 20% referia-se à metade das 15 rotas mais populares entre os clientes em econômica.

2 - A conversa foi gravada (por eles) e a assessora ouviu a conversa de novo e afirma que o conteúdo é esse que me informaram.

3 - A empresa gostaria que eu escrevesse um post prestando esclarecimentos aos leitores.

Vamos lá.

Quando o Amigo me convidou para essa conversa exclusiva – blogs maiores e mais antigos que o meu ficaram de fora – ficou claro que a empresa acompanha e respeita o meu blog.

Eu posso ter entendido equivocadamente o que o diretor do Amigo falou para mim? Claro que posso! Sou humana e não estava gravando a conversa (pedi a gravação integral para checar o que foi dito, mas até agora não me responderam). Eu fui anotando o que ele dizia com caneta e papel.

A informação sobre os 20% vem logo após às tais 15 rotas mais populares – que até agora não sabemos quais são – e é possível que a elas o diretor tenha se referido. Era uma conversa telefônica com horário marcado para início e fim e não um comunicado escrito da empresa para blogueiro A, B e C.

Mas a pergunta que não quer calar é por que a empresa não se comunicou comigo imediatamente ou alguns dias depois para que a informação fosse corrigida?

Por outro lado, a assessora de imprensa, super cordial e simpática, fez questão de dizer, mais de uma vez, que eu não estava errada no que escrevi.

Não é verdade! Se o aumento máximo de 20% se referia à metade das rotas mais populares em econômica, a informação deveria estar vinculada ao que foi dito anteriormente no post. A redação desse trecho da entrevista deveria ter sido:

Segundo ele, a empresa fez um levantamento das 15 rotas mais populares entre os clientes e manterá mais da metade com a pontuação atual, sendo que o maior aumento na classe econômica dessas rotas está na casa dos 20%.

Conhecedora da publicação, era obrigação da empresa de entrar em contato comigo para que eu pudesse corrigir o texto  já que ela acompanha meu blog, ainda mais para verificar o que foi dito após uma entrevista com ninguém menos do que o seu diretor.

A boa-fé objetiva e o dever de transparência com seus clientes demanda que a empresa corrija uma informação impressa equivocada sobre uma alteração em seu programa de milhas o mais rapidamente possível.

Tempo houve de sobra para que a empresa tomasse providências em relação ao texto. O post anunciando as mudanças foi publicado no dia 18 de setembro e as alterações entraram em vigor dia 18 de outubro. Entretanto, a empresa só entrou em contato comigo no dia 24 de outubro – mais de um mês após a publicação –  para esclarecer o ponto.

Todos aqui sabem que eu teria retificado a informação sem o menor problema. Não tenho o menor interesse em manter uma informação incorreta, especialmente em um post que anuncia alterações em um programa de milhas.

Entretanto, a empresa não me concedeu essa oportunidade antes da alteração da precificação do programa – isto tomando como verdade que eu realmente me equivoquei.

O que o Amigo fez, na realidade, foi deixar circular uma informação não condizente com a futura realidade por ela mesma engedrada e conhecida. Informação essa que fez crer que o reajuste das precificação dos bilhetes com milhas seria razoável – na casa dos 20%. E mais, quedou silente e se manifestou apenas após a mudança no critério de precificação para resgate.

Eu tenho um compromisso de honestidade com vocês, leitores. Todos aqui sabem que eu não tenho patrocínio de nenhuma empresa, o que me coloca em uma posição de total autonomia e independência em relação às minhas opiniões pessoais.

Para mim, a credibilidade está acima de tudo. É ela que impulsiona a visita de vocês ao meu blog, o que muito me honra, e é o fundamento que orienta o que escrevo.

Mas que em nome da boa-fé, da transparência, da confiança e da lealdade que o Amigo tem a obrigação de assumir a sua responsabilidade por omissão em relação a mim e, sobretudo, a vocês.

Por fim, na conversa do dia 24 de outubro pedi também que fossem esclarecidos os seguintes pontos e forneci informações que contradizem o que foi dito para mim e para outros blogueiros

1 – Quais são as tais 15 rotas mais populares a que o diretor se referiu para verificarmos que houve efetivamente uma redução em mais da metade dessas rotas?

2 – Tivemos aumentos drásticos em algumas rotas que chegam a 400%, o que foi um choque para todos. Muitas rotas  comumente discutidas nos blogs tiveram aumentos superiores a 100%.

3 – Requisitei que fosse publicada a tabela de pontos exigidos por distância – como a Iberia e a British Airways fazem. Neste ponto a assessora me disse que foi esclarecido para todos que não há mais tabela. Eu respondi que se a mudança foi baseada na distância, esse é o parâmetro. Logo, temos direito de saber como esse parâmetro foi determinado até para conferirmos se ele está sendo obedecido.

4 – Informei sobre inconsistências na precificação – um bilhete em executiva entre Seoul e Tóquio (753 milhas, 1h35 mins de duração, 180.000 pontos) está mais caro do que um Frankfurt – Kiev (987 milhas, 2 horas de duração, 40.000 pontos). A assessora prontamente explicou que foi dito que haveria redução em algumas rotas da Europa em função da distância. Rebati que se o parâmetro é a distância, pouco importa qual o continente onde as distâncias são medidas. Além do quê, o valor de 40.000 pontos para a executiva dentro da Europa não foi reduzido, ao contrário subiu de 30.000 para 40.000 pontos …

Exemplos de algumas inconsistências – classe executiva:

Frankfurt – Istambul – 1.159 milhas: 120.000 pontos (voo direto)

Frankfurt – Atenas – 1.129 milhas: 40.000 pontos (voo direto)

Frankfurt – Moscou – 1.269 milhas: 50.000 pontos (voo direto)

Frankfurt – Varsóvia – 559 milhas: 72.120 pontos (voo direto)

Até agora, as respostas para essas questões permanecem um mistério.

Me digam o que vocês acham dessa história toda. Hit the comments!