Esse post sobre os programas LATAM tem origem no alerta do Daniel, um dos comentadores mais assíduos aqui do blog. As ponderações que farei não são verdades absolutas; são apenas ideias trocadas com amigos e leitores que navegam nesse mundo e todos estão convidados a comentar.

O LATAM Pass enviou um email no final do ano passado para os seus clientes nformando que, em breve, os programas se unificarão e toda a parte da gestão dos pontos ficará ao encargo da Multiplus (off topic: teve gente no Expert Flyer perguntando “what the hell is Multiplus?” rssss). Além disso, deixarão de existir os KM do LATAM Pass, que darão lugar aos pontos do LATAM Fidelidade, que são nada mais do que milhas. Então, de quilômetros – uma ideia originalmente muito infeliz – a unificação passará a usar a medida pontos (=milhas).

Mas há uma questão interessante que até agora não foi mencionada nem pelo LATAM Fidelidade e nem pelo LATAM Pass: a estrutura da tabela de resgate dos programas é diferente. Como ficará depois da unificação?

Resgates em voos LATAM

O Fidelidade usa tabela flutuante “a partir de”. É uma loteria. Se há muita procura, os valores se tornam impraticáveis, mas se os gestores querem encher a rota, os valores são mais baixos. Eu mesma emiti um Milão – São Paulo com 5 dias de antecedência pro final do ano por 34.000 milhas em econômica. Um ótimo valor que ficou melhor ainda depois que eu consegui o up pra business.

Já o LATAM Pass usa tabela fixa (clique aqui para acessar a tabela). Vou inserir uma parte da tabela (ela é enorme) para termos uma ideia (o Brasil é South America II).

Então, entre o Brasil e o Chile/Argentina em premium business são 80.000 KM. Mas 80.000 KM correspondem a 49.700 milhas – arrendondando são 50.000 pontos. Para mim, é um valor altíssimo considerando que entre São Paulo e Santiago são 3hrs30mins de voo. No Fidelidade o valor varia entre 35.000 e inacreditáveis 80.000 pontos. Para voar em premium economy, ou seja, assentos iguais ao da econômica com assento do meio bloqueado, o custo é de 70.000 KM, o que dá, aproximadamente 43.000 pontos o trecho. Salgadíssimo!

Entre o Chile e os EUA, também em premium business, são 150.000 KM que, convertidos, somam 93.000 pontos Fidelidade. O programa brasileiro varia entre 70.000 e 229.000 pontos.

Resgates com as parceiras

O Fidelidade possui aquela tabela fixa que a maioria de vocês conhece de cor e salteado. Quem não conhece, clique aqui para ver.

Já o LATAM Pass tem uma tabela baseada na distância do voo, como o British Airways Executive Club também tem. A tabela é esta aqui e vale para one-way, somente. Para ida e volta, multipliquem por dois.

Então, vamos pegar dois exemplos: Miami (6.558/4.073 pontos/milhas de distância) e Frankfurt (9.776/6.075 pontos/milhas) a partir de Guarulhos.

Ambos caem na mesma categoria – entre 5.001 e 10.000  KM. Em executiva são necessários 100.000 KM, ou 62.000 pontos o trecho. Aqui o LATAM Pass é muito mais benéfico. O LATAM Fidelidade cobra 75.000 pontos para a América do Norte e 100.000 para a Europa.

Agora, vamos pegar uma passagem para a Ásia em executiva. Vamos imaginar São Paulo – Londres – Singapura (passagem que pode ser encontrada no LATAM Fidelidade por 110.000 pontos). São 12.628 milhas, que dão 20.309 KM. São necessários 200.000 KM, que equivalem a 125.000 pontos. Aqui, o Fidelidade é mais vantajoso em cerca de 10%.

Nesse mesmo trecho na First da British, que no Fidelidade sai por 140.000 pontos, o LATAM Pass cobra 250.000 KM que, convertidos, somam 155.342 pontos. De novo, o Fidelidade é mais vantajoso em cerca de 10%.

Um trecho que muita gente emite é entre Doha e Paris com a Qatar na primeira classe para visitar o lounge Al Safwa. Esse trecho tem cerca de 3.261 milhas de distância e o Fidelidade cobra 65.000 pontos. Esses 3.261 milhas correspondem a 5.248 pontos e, pela tabela do LATAM Pass, isso custaria 67.000 KM. Convertendo em milhas, são 41.631 pontos! Aqui, o LATAM Pass é uma mãe!

Meu palpite (sem qualquer informação ou dica de alguém do Fidelidade ou do Pass – ou seja, é pura especulação, ok?)

Em primeiro lugar, será necessário escolher a estrutura – por região ou por distância. Eu sinceramente não tenho ideia da escolha, que já deve ter sido feita. Depois, haverá o ajuste que, ao meu ver, deve ser feito tendo por base o maior valor de cada plano. Assim, em algumas situações o Fidelidade vai piorar e, em outras, o pessoal do Pass vai sentir o baque.

Pode não acontecer assim e ter uma majoração geral? Sim, tudo é possível. Pode haver redução geral? Aí eu já acho que não.

A base de clientes vai ser unificada e houve uma enxurrada de gente que passou a assinar o Clube Multiplus 10.000 ontem mesmo e já transferiu 100.000 pontos de cartão e KM de vantagens para ganhar o bônus de 30%.

Isso significa que há mais pontos em circulação, pontos esses que têm um destino específico: a emissão de bilhetes aéreos. Gente, isso é inflação pura e simples. Tem muito mais  gente com “dinheiro” na mão querendo gastar e a quantidade do produto no mercado é exatamente a mesma.

Como as empresas normalmente se comportam nessa situação? Pois é …

E vocês? Tem algum palpite? Alguma sugestão de rota em que a discrepância entre os dois planos é grande?

OBS: Me lembrei de duas grandes diferenças entre o Fidelidade e o Pass. O Pass exige gasto mínimo para alcançar status e voos domésticos no Chile não contam para se conseguir status com trechos. Não acredito que esse último aspecto seja implantado no Brasil por conta da última alteração que permite se alcançar Platinum com 24 trechos somente. Mas, a implantação de um gasto mínimo para conseguir e manter status, eu acho possível, sim.