Desde que voltei da viagem do Carnaval, tenho pensado nas experiências que tive na classe executiva dos voos intra-europeus. Daí a pergunta que venho me fazendo: o mercado doméstico comporta classe executiva?

Nas experiências que tive, há dois tipos de classe executiva oferecidos para voos de curta distância:

1 – o tipo europeu, que é basicamente o bloqueio do assento central, acrescido de uma refeição e outros benefícios como bagagem extra e acesso a lounges, e

2 – o tipo não-europeu, adotado nos EUA, Oriente Médio e Ásia (e na Turkish Airlines), em que há uma clase executiva regional, com melhores assentos e os demais benefícios do tipo europeu – à exceção das companhias americanas que não oferecem acesso às salas VIP.

No Brasil, temos muitas rotas com voos bem curtos, de cerca de uma hora de duração. Dentre eles, destaco aqueles que têm uma clientela corporativa e de altos executivos: as pontes áereas entre Rio e São Paulo, São Paulo – Brasília, Rio – Brasília, por exemplo.

Por outro lado há algumas rotas no Brasil que estão na casa das três horas de voo, principalmente aqueles voos que ligam o Sudeste ao Norte/Nordeste.

Aliás, também é importante lembrar os voos operados por empresas brasileiras ligando o Brasil à América do Sul, especialmente para Buenos Aires, Montevidéu, Santiago e Assunção,  são, na sua maioria, 100% em classe econômica ou no tipo europeu – como a LATAM, que vende essas passagens como premium economy. A exceção à regra fica por conta da Avianca Brasil, que voa os A330 para Santiago.

A pergunta é: estariam essas pessoas dispostas a pagar mais para ter um serviço diferenciado? Aparentemente, a resposta é não. Até algum tempo atrás, a TAM oferecia business em alguns voos internos, inclusive nos seus A320. Essas aeronaves foram retrofitadas e agora todos os assentos são em econômica.

Mas eu verdadeiramente me pergunto se atualmente, com a visível deterioração do serviço de bordo e os assentos que exigem que os passageiros tenham corpo de modelo, se não haveria um nicho que justificasse a retomada da executiva ou de uma premium economy aqui.

Falo isso em vista de duas excelentes experiências que tive na executiva em voos intra-europeus com a Swiss (clique aqui para ler) e com a Air France (clique aqui para ler), em voos com cerca de 1h15 mins de duração.

Eu não entendo do assunto para opinar com propriedade, mas gostaria de ouvir as ideias daqueles que conhecem bem o metier e dos demais leitores que apreciam o tema da aviação em geral.