O assunto do momento é a recusa da TAP, a companhia aérea portuguesa, em honrar os bilhetes emitidos pelo Amigo, o programa de milhas da Avianca Brasil, que atualmente encontra-se em recuperação judicial.

A situação é a seguinte: a TAP pertence à Star Alliance, que é uma entidade contratual criada por determinadas empresas aéreas, que aumenta o fluxo de passageiros por meio de acordos de codeshare, barateando as operações. Em contrapartida, um dos benefícios para os consumidores, é que as empresas oferecem programas de milhas em que é possível que os passageiros frequentes possam emitir bilhetes em outras companhias da aliança.

Acontece que a Avianca Brasil entrou em recuperação judicial no ano passado e a TAP, assim como Lufthansa, SWISS, Austrian, Brussels (todas do mesmo grupo econômico, por sinal), não bloqueou a disponibilidade de assentos no programa Amigo, permitindo a emissão de bilhetes até recentemente.

Aí a gente se pergunta: por que a TAP tomou essa atitude?

A decisão da empresa de não honrar as passagens me pegou de surpresa por uma série de fatores:

  • a companhia disponibilizou assentos no Amigo até o último dia de funcionamento do site do programa;
  • os passageiros não foram informados a priori: a informação inicialmente surgiu no próprio site da empresa, no fim do expediente da 6a feira, dia 7 de junho;
  • o principal meio de divulgação foi via blogs, espontaneamente pelos blogueiros, e não na imprensa, como algo dessa magnitude exige;
  • a decisão foi tomada com exatos 8 dias de antecedência do bloqueio – que acontece a partir do dia 15 de junho – deixando centenas de passageiros lançados à própria sorte em suas viagens de férias ou a trabalho.

Imagino que a Avianca não irá pagar a TAP pelos bilhetes emitidos – isso é mais ou menos um consenso entre as pessoas. Tem pessoas que acreditam que isso é tudo calculado friamente pela empresa.

Foi estimado o valor da venda dos bilhetes na alta temporada europeia compensaria o número de pessoas que recorreriam ao Judiciário e ganhariam suas causas, ainda que com valores indenizatórios.

Eu já acho que não – e é só achismo, mesmo. Gente, eu não acredito nessa competência administrativa, não … rsssss

Vou dar dois exemplos: Santander AAdvantage Black e TudoAzul – Accor. Ambos os produtos foram um desastre no seu lançamento. Seus responsáveis, subestimaram, de longe, a quantidade de adesões. De longe! O TudoAzul mudou a regra em 24 horas e o AAdvantage Black retirou o acesso ilimitado e gratuito às salas Priority Pass em menos de um mês.

Gente, é um cartão de crédito!!!!! Entidade financeira!!! Como assim ninguém fez um estudo???

A Accor é uma empresa global e o TudoAzul é um programa com milhões de clientes. Como assim ninguém se deu conta que as pessoas iriam fazer as contas e transferir os pontos com larga margem de benefícios????

Isso sem mencionar o Clube Multiplus, né? Lembram de como ele era quando começou e como está agora?

Então, acho que não tem estudo nenhum da TAP. A empresa é portuguesa, a ordem deve ter partido de Portugal. O pessoal do jurídico de lá não tem esse traquejo em relação ao direito do consumidor. Não há essa demanda toda consumerista no judiciário português – eu estudei lá e tenho conhecimento de causa.

Eu imagino que o jurídico esteja mais envolvido com a aquisição das novas aeronaves, os contratos de leasing, autorização para novas rotas nos EUA – todo mês eles anunciam novas operações – e coisas muito maiores.

E também imagino que o CEO/Presidente da TAP não vai se envolver com essas miudezas. Mesmo que todo mundo seja indenizado, o custo não chega a 1% do que a empresa está pagando por um A330neo.

Enfim, acho que nunca saberemos ao certo a exata motivação da empresa. Mas eu acho que, sendo as liminares de junho / julho concedidas, e as indenizações confirmadas, talvez haja uma mudança de posicionamento em alguns meses.

A conferir …

O que vocês acham?

OFF-TOPIC: Para complicar o quadro, já há relatos que a United está impedindo o embarque de passageiros com bilhetes emitidos pelo Amigo no aeroporto de São Paulo. Aqui no Rio de Janeiro, ainda não foram relatados problemas. Mas creio que, em breve, a United deve anunciar algum tipo de medida restritiva.