Muitas pessoas têm dúvidas sobre o significado de alguns termos na aviação comercial. Acordos interline, codeshare e joint venture estão incluídos no rol daqueles termos mais comuns que a gente ouve no dia a dia.

Uma observação importante: cada transportadora tem seu código IATA com 2 caracteres. Por exemplo:

LATAM Chile - LA
LATAM Brasil - JJ (mas a partir de maio, todos os voos serão LA, exceto para os EUA, que continuarão a ser JJ)
GOL - G3
Avianca Brasil - O6
Azul - AD
Avianca Internacional - AV
Air France - AF
American Airlines  - AA
British Airways - BA
Iberia - IB
Lufthansa - LH
SWISS - LX
Turkish Airlines - TK
Qatar Airways - QR
Etihad - EY
Emirates - EK
Japan Airlines - JL
ANA All Nippon Airways - NH
Thai Airways - TG
TAP - TP

Antes de explicar os três termos do título, vou conceituar outros dois termos que são importantes para a gente conhecer e entender os demais:

A – Transportadora de fato (operating carrier)

É a companhia aérea que opera o voo. Vou dar um exemplo para vocês. A gente adquire uma passagem na LATAM (JJ) para viajar com American Airlines (AA) para os EUA. Apesar de a passagem ter sido emitida pela LATAM, a transportadora que vai levar esse passageiro para a América do Norte é a American Airlines, a transportadora de fato.

E como eu sei que a passagem foi emitida pela LATAM? Pelo número do bilhete aéreo é possível saber quem comercializou o voo. Os três primeiros números do bilhete indicam qual foi a transportadora que o vendeu, pois cada transportadora tem seu código próprio.

A LATAM Brasil, por exemplo, é 957 (isso vale para os bilhetes com pontos emitidos   pela Multiplus, que comercializa os voos em nome da LATAM). A American Airlines é 001, a GOL é 127.

B – Transportadora contratual (marketing carrier)

É a companhia com quem o passageiro celebra o contrato de transporte; ela é quem vende a passagem. No exemplo acima, a transportadora contratual é a LATAM (JJ) e os três primeiros números do bilhete serão 957.

Só é possível termos uma transportadora contratual e uma transportadora de fato quando essas empresas firmam acordos comerciais entre si. Esses acordos variam dependendo do grau de cooperação entre as companhias. Vou começar do mais superficial para o mais profundo.

1 – Acordos Interline

É o acordo mais básico que duas companhias aéreas podem ter. Ele é um acordo comercial que permite que voos de duas companhias aéreas sejam emitidos em um mesmo bilhete, emitido por qualquer uma das duas companhias.

Por exemplo, a empresa Alfa vende um bilhete Belo Horizonte – Guarulhos – Cairo, sendo que o voo Belo Horizonte – Guarulhos é efetuado pela Alfa e de Guarulhos ao Cairo o  voo é operado pela Beta.  Esse acordo permite que a bagagem seja etiquetada até o destino final.

A Alfa recebe o pagamento pela passagem – afinal foi ela que comercializou – e depois a Beta recebe a parte que lhe cabe.

Nesse tipo de acordo, fica claro para o passageiro a companhia aérea que vai comercializar cada voo, pois no bilhete aparece o código IATA da Alfa para o trecho doméstico e o código IATA da Beta para o trecho internacional.

2 – Acordos Codeshare

Os acordos codeshare são um pouco mais complexos que os acordos interline e, ironicamente, a única coisa que não é compartilhada é o número do voo.  Eles envolvem as operações e a imagem de diferentes companhias aéreas.

Nesses acordos, duas ou mais companhias aéreas “compartilham” uma aeronave, ou seja, cada empresa tem um número de assentos x que pode comercializar em seu nome (transportadora contratual), mas usando uma outra companhia aérea (transportadora de fato). Os voos codeshare são extremamente comuns dentro das alianças aéreas.

Por exemplo, a American Airlines (AA) e a Malaysia Airlines (MH) são parceiras Oneworld, mas nem a Malaysia (MH) opera voos para os EUA e nem a AA opera voos para a Malásia.

Entretanto, por conta de um acordo codeshare que envolve a British Airways também,  é possível comprar um bilhete saindo do Rio para Kuala Lumpur com a AA, com escalas em Nova York e Londres.

O  voo entre Rio e Nova York é operado pela própria AA, o voo entre JFK e Londres é feito em codeshare com a British Airways (mas vejam que o código do voo é AA6143) e o último voo, entre Londres e Kuala Lumpur é operado pela Malaysia Airlines, em codeshare com a AA, que mantém seu código no voo (AA7440).

Observem que no site da British Airways, o mesmo voo entre JFK e LHR é oferecido, mas com o código da BA (BA0178):

A mesma coisa ocorre com a Malaysia, que comercializa o voo LHR – KUL em sua própria aeronave, com seu próprio código (MH3)

O que acontece aqui é que a American Airlines pode dizer que  tem um voo na rota JFK – LHR que sai às 9:05 da manhã e outro na rota LHR – KUL, que sai de Londres às 10:00 da manhã.

A AA tem os assentos disponíveis no seu inventário, pode publicar as tarifas e comercializar bilhetes normalmente.

Voltando à reserva da AA,  o passageiro vê o código da AA em todos os voos do bilhete, mas a AA informa que ela não é a transportadora de fato.

São esses acordos codeshare que fazem com que, na hora que a gente procura o nosso voo no painel do aeroporto, apareçam diversos códigos de duas letras e 4 números diferentes na tela. Isso é sinal que nosso voo é feito em codeshare com outras companhias aéreas.

3 – Joint Venture

É o acordo mais intenso e extensivo entre duas ou mais companhias aéreas que exige, inclusive, aprovação governamental, uma vez que impacta, diretamente, a competitividade no setor. As empresas coordenam horários, preços, logística etc.

O voo codeshare entre JFK – LHR é parte da joint venture transatlântica que a American tem com a British Airways (a Iberia e a Finnair também fazer parte). A AA também tem uma joint venture com a JAL para voos transpacíficos.

A mesma AA teve uma joint venture com a LATAM aprovada pelo CADE em setembro do ano passado envolvendo EUA e Canadá, com América do Sul (Brasil, Chile, Colômbia, Paraguai, Peru e Uruguai). Com ela, as empresas vão compartilhar a malha aérea de passageiros e cargas e estabelecer preços comuns.

Espero que eu tenha esclarecido essas diferenças para vocês!