Será que os programas de milhas vão impedir o resgate com as parceiras? Esse é o interessantíssimo tema do post do God Save the Points de hoje. Para Gilbert Ott, os programas irão seguir o exemplo da Singapore Airlines que só permite resgates em business e first por meio de seu próprio programa.

Ele cita algumas evidências para embasar o que ele próprio chama de teoria da conspiração: o sumiço da disponibilidade de resgate de bilhetes da Cathay Pacific pelas parceiras Oneworld (segundo Gary Leff, a situação já foi normalizada) e a atual impossibilidade de se transferir avios entre as contas do BAEC e do Iberia Plus. Outros dois exemplos que ele não mencionou mas que são emblemáticos são o resgate de bilhetes na first da SWISS apenas para membros do Miles & More, e também a restrição da Lufthansa dos 14 dias nos resgates da primeira classe.

O blogueiro prevê que a Cathay vai copiar a Singapore e também acha que a Qatar vai fazer o mesmo, explicando que a empresa já impede membros Oneworld de usarem seu lounge principal em Doha. Aliás, soube outro dia desses que a Qantas também está bloqueando o acesso aos lounges domésticos por membros Oneworld Sapphire e Emerald voando em econômica.

Alguns exemplos que nos atingem diretamente são (vou atualizando a lista à medida que eu me lembre de outros ou vocês me ajudem nos comentários):

  1. atualização das tabelas de resgates, que na maioria das vezes significa um custo maior na emissão com milhas, como aconteceu com o Victoria e o Lifemiles;
  2. impossibilidade de resgate online: o Iberia Plus só permite resgate com as parceiras via call center; idem para o AAdvantage com certas cias (Cathay, Qatar, JAL, LATAM etc); o BAEC não permite emissão online de bilhetes com avios para voos saindo do Brasil, etc.;
  3. a própria migração do sistema da LATAM aboliu, ainda que temporariamente, o resgate com as parceiras;
  4. o Multiplus não permite resgate online na primeira classe das parceiras, é preciso ligar para o call center;
  5. o fim dos resgates na first da Qatar via Smiles e a quase ausente disponibilidade em voos na executiva da Europa para a Ásia via Doha em um mesmo bilhete – também no Smiles;
  6. a rara ou inexistente disponibilidade para resgates em executiva na Air Canada de São Paulo para Toronto via Smiles;
  7. a limitação de disponibilidade de um único assento em executiva nas rotas da Korean Airlines para resgates Smiles;
  8. a “cegueira” do Amigo em relação à Thai, ANA, SAS, Air Canada etc.

É claro que devemos levar em consideração que a base de consumidores brasileiros que descobriram o mundo das milhas aumentou exponencialmente nos últimos três anos e que a disponibilidade de assentos para resgate continua a mesma. Entretanto, a maioria dos exemplos acima não tem relação com a disponibilidade em si, mas com políticas e acordos empresariais.

Eu pessoalmente não sei se haverá uma radicalização das empresas, mas concordo com a avaliação que existe uma dificuldade maior para resgates com as parceiras.

E vocês? Concordam que o mundo das milhas está menos amistoso para os clientes?

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