Quem está por dentro do mercado de milhas sabe que o mantra atual que permeia o segmento é earn and burn – ou seja, ganhe e queime (gaste). Isso porque nos últimos tempos, não houve um único ano em que os clientes não foram premiados grandes mudanças nos programas de milhas. E mais: levando em consideração o panorama geral de cada uma das alterações, todas elas prejudicaram os consumidores. Talvez tenhamos tido um ou outro benefício isolado a cada alteração, mas, no geral, foram ruins.

Além disso há um outro fator importantíssimo: a antecedência da comunicação das mudanças, especialmente no caso de desvalorização da tabela. Não raro, somos nós blogueiros que descobrimos, sem querer, ou algum leitor que encarecidamente nos informa para que possamos divulgar a alteração.

Quando os clientes são avisados, geralmente têm um mês para decidir o que fazer com as milhas que estão na conta. E aí bate aquele desespero: usar de qualquer modo só pra não perder, ou engolir o prejuízo.

Mas temos o outro lado da moeda: e quando acontecem promoções relâmpago válidas por 24 horas – business class pra Miami ida e volta por 50.000 pontos, por exemplo. Ou aquele bug do Smiles para voar Emirates entre São Paulo e Buenos Aires com um pit stop em Dubai. Para aproveitar, obviamente é necessário ter milhas na conta.

E aí é que começa o dilema: quantas milhas eu devo manter na minha conta de modo que eu não seja extremamente prejudicada com uma eventual mudança de tabela, mas que seja suficiente para que eu possa aproveitar uma promoção relâmpago ou um bug? Essa é uma questão que tem me ocupado nos últimos tempos.

A resposta, obviamente, depende do padrão de viagens de cada um – classe econômica ou executiva / first; frequência de viagens; destinos domésticos ou internacionais; viagem individual, em casal, ou em família, e por aí vai.

Eu, como muita gente atualmente, tendo a manter meus pontos na conta Livelo e só transferir para um programa quando tiver algo em mente. Mas gosto de ter algumas milhas só pra constar e aproveitar alguma promoção ou bug.

Minha estratégia atual é tentar manter o suficiente em cada programa para emitir imediatamente um trecho em executiva para a Europa ou USA caso seja necessário ou apareça uma oportunidade imperdível.

Para mim, o ideal é o seguinte – lembrando que esses valores são apenas para manter na conta, sem ter em vista nenhuma emissão imediata:

  • Smiles: o custo para a Europa é proibitivo (além de estar dificílimo achar Air France ou KLM em executiva saindo do Rio ou São Paulo), mas para os EUA ainda está viável na casa das 100.000 – 130.000 milhas, dependendo da cidade de destino.
  • Multiplus: ter 120.000 pontos à disposição, que é o suficiente para emitir um Brasil – Europa ou Europa – Brasil com a British ou Iberia.
  • Lifemiles: suficiente para emitir um bilhete na primeira classe da Lufthansa.
  • TAP Miles&GO: 120.000 milhas, que é o suficiente para emitir uma ida e volta para os EUA em executiva, ou uma ida para a Europa em voos TAP.

O único programa que eu tenho uma poupança de milhas é o AAdvantage. Na última vez que houve desvalorização da tabela, os clientes foram avisados com 6 meses de antecedência e deu para emitir o que eu queria com tranquilidade. Além disso, a emissão online com o programa está cada vez mais fácil – na semana passada, a JAL entrou no sistema e já é possível emitir bilhetes online (clique aqui para ler).

E vocês? Também pensam em manter um saldo mínimo nas contas para qualquer eventualidade ou ficam com os pontos no Livelo até emitir o que precisa? Ou nem isso mais – só compra pontos em promoção e transfere imediatamente para emissão? Ou nem faz isso mais – compra a passagem com dinheiro porque deixou esse trem de milhas pra lá? rssssss