Há pouco mais de uma semana, publiquei um post comparando 4 programas de fidelidade (Smiles, LATAM Fidelidade, Amigo e Lifemiles)  para viajantes não frequentes. Agora chegou a vez de falar para os viajantes frequentes.

Um dos fatores mais importantes para os viajantes frequentes é ter status com a companhia aérea que viaja. Isso possibilita inúmeros benefícios como despacho de bagagem gratuita, marcação antecipada de assentos (às vezes mais confortáveis), check-in e embarque prioritários, acesso a lounges etc.

LATAM Fidelidade

O programa em si sofreu alterações que provavelmente impossibilitará a maioria dos clientes com status de renová-los nas mesmas bases de antes, ainda que sejam viajantes frequentes (clique aqui para ler o post sobre as alterações). Se o padrão de viagens for predominantemente em trechos domésticos, o Fidelidade está longe de ser adequado, já que eliminou a obtenção de status por trechos.

Agora, será necessário gastar uma fortuna para ter status com a empresa.

Aliás, esse é outro mistério. Há um ano atrás, o LATAM Fidelidade fez um esforço de captação de clientes corporativos oferecendo status Platinum para quem voasse 24 trechos no ano. Como é que em 12 meses a empresa descarta essa política? Que tipo de planejamento vem sendo feito em relação ao programa? Afinal, qual é a finalidade do Fidelidade? Qual público ele pretende atingir?

Além disso, as rotas diretas da LATAM estão super-concentradas em São Paulo. Para quem parte do Rio de Janeiro e Belo Horizonte, por exemplo, é quase impossível ter um voo direto para o Nordeste.

Para os viajantes frequentes internacionais, investir no LATAM Fidelidade também não é o mais recomendado. Fiz uma análise do programa da Oneworld mais vantajoso e, na minha opinião, o AAdvantage se sobressai para nós brasileiros. Para obter status Oneworld Emerald, o mais alto da aliança, é necessário gastar USD 12.000, contra os USD 16.667 do Fidelidade. É uma diferença de quase 40%.

Um outro problema do LATAM Fidelidade é no resgate de passagens aéreas com pontos. Até hoje está difícil ou, em alguns casos, impossível emitir com algumas parceiras – e às vezes, até mesmo com a própria LATAM –  devido aos problemas no sistema. Ou seja, o cliente gasta uma fortuna para ter status, mas não consegue emitir bilhetes prêmio.

Entretanto, dentro dos programas brasileiros é o que atualmente oferece a melhor tabela de resgate com as parceiras, no geral – se o cliente conseguir resgatar o bilhete, é claro.

Smiles

O Smiles é o programa brasileiro em que o viajante frequente obtém status mais facilmente. Aliás, até quem não voa consegue ser Diamante se transferir 300.000 pontos do cartão de crédito no ano civil, ou se assinar o Clube Smiles 10.000 e transferir 180.000 pontos do cartão.

Para o viajante doméstico, o Smiles me parece o mais vantajoso: além dos benefícios  de bagagem, check-in, embarque e marcação de assentos, a GOL é a única empresa brasileira que mantém lounges para voos domésticos nos aeroportos do Galeão e Guarulhos. E os lounges são muito bons.

Os clientes Diamante Smiles também têm benefícios para viajar com a Delta: são 3 bagagens gratuitas, assentos preferenciais, prioridade de check-in e de embarque, acesso a alguns lounges da empresa nos EUA. Com a Air France e a Aerolíneas Argentinas, é possível o acesso aos lounges de Paris e Ezeiza, respectivamente, mas sem direito a convidados.

Para clientes internacionais, não enxergo o Smiles como uma boa opção por um motivo: a GOL não é afiliada a nenhuma aliança e os benefícios com as parceiras, excetuando a Delta, são poucos ou inexistentes.

A desvantagem do Smiles, a meu sentir, é no resgate das milhas. Apesar de termos bons valores para o Cone Sul em econômica e em executiva, os valores para a Europa são muito altos, no geral, mas há exceções.

Partindo do Nordeste e procurando com afinco é possível fazer bons resgates. Para quem pode esperar até o último minuto para emitir o bilhete, é possível voar na executiva da Alitalia por 95.000 saindo do Rio ou de SP.  Mas a volta é mais complicada …

O que vale muito a pena são os resgates com a Qatar Airways e a Korean Air. Eu mesma já resgatei diversos bilhetes e recomendo muito.

Amigo

O Amigo é o representante da Star Alliance no Brasil. Para obter o status máximo na Star Alliance, é necessário ser Gold no Amigo – com 45.000 pontos ou 50 trechos obtidos no ano civil.

O Amigo possui tabelas fixas de acúmulo de pontos nos voos da Avianca Brasil, sejam eles domésticos, nos EUA ou na América do Sul.

Para o passageiro frequente doméstico, com 20 trechos na tarifa promo – 10 passagens de ida e volta – é possível ascender à categoria Silver, e acumular 10.000 pontos. Uma vez sendo Silver,  cada ida e volta soma 1.250 pontos. Com 30 trechos restantes (15 viagens de ida e volta), é possível acumular mais 18.750 pontos, totalizando 50 trechos e 28.750 pontos.

Esses 50 trechos correspondem a pouco mais que uma passagem de ida e volta a cada 15 dias.

Para quem viaja internacionalmente com frequência para os EUA, com 4 viagens em econômica para Miami ou NY, na tarifa mais baixa (Promo), é possível chegar a Gold.

A na primeira ida e volta, é possível acumular 10.000 pontos. Na segunda ida e volta, o voo da ida acumula 5.000 pontos, mas o da volta acumula 6.250, pois o cliente já é Silver. Em duas viagens, isso significa 10.000 + 11.250 pontos = 21.250 pontos . As duas próximas viagens acumulam 12.500 cada, totalizando 25.000 pontos que, somados aos 21.250 anteriores, somam 46.250 pontos em 4 viagens.

As tarifas da Avianca de São Paulo para Miami estão na casa dos R$ 2.500,00 na baixa temporada – podendo ser um pouco menos, ou um pouco mais. Assim, com R$ 10.000,00 é possível atingir o status máximo na Star Alliance.

Note que a business promo pontua exatamente o dobro da econômica promo. Assim, é possível conseguir o status com 2 viagens em business. Em termos financeiros – não estou falando de conforto ou o stress de trânsito e aeroporto – só vai valer a pena voar de business se a passagem custar na casa dos R$ 5.000,00.

A empresa tem outra tabela para a América do Sul:

Aqui são necessárias 7 passagens de ida e volta para Santiago.

Nas duas primeiras viagens, o passageiro consegue 12.000 pontos totais (6.000 de cada ida e volta). Na terceira viagem, a ida acumula 3.000 pontos e a volta 3.750, somando 18.750. Faltam 26.250 pontos para Gold. Cada viagem ida e volta em Silver acumula 7.500 pontos. Logo, são necessárias mais 4 viagens para chegar a Gold.

Como é possível conseguir viajar para Santiago por cerca de R$ 1.000,00 na baixa, são necessários R$ 7.000,00 para ser Gold na Star Alliance. Com esse valor, só é possível ser Gold na LATAM/Oneworld – o status mais baixo, que dá direito somente ao check-in e embarque preferencial.

Como empresa membro da Star Alliance, é possível conseguir status voando em outras companhias e creditando no Amigo. A quantidade de pontos vai depender da companhia aérea e da tarifa adquirida, e da região de origem e destino – clique aqui para saber mais.

Uma boa pedida é a seguinte: voar com a Avianca Internacional para os EUA em executiva creditando no Amigo. De São Paulo para Bogotá são 3.000 pontos e de lá para os EUA (qualquer cidade) são 5.000 pontos, o que rende 8.000 pontos por trecho e 16.000 ida e volta.

Como existe um bônus de 150% para as tarifas C, D e J, cada viagem pode acumular 24.000 pontos. Em duas viagens é possível chegar aos 48.000 pontos et voilá!

Até recentemente era o melhor programa de milhas brasileiro, mas sucumbiu diante dos inúmeros problemas que a mudança na precificação dos bilhetes prêmio.

Há duas desvantagens em relação ao Amigo: a primeira é que a Avianca não atende a muitas cidades importantes no Brasil. A empresa está ampliando suas rotas, mas ainda não é competitiva, quantitativamente falando, em termos operacionais.

A segunda refere-se à conduta do Amigo na reformulação do programa. Há um consenso geral de que a empresa pecou muito nesse aspecto.

Até que ponto é vantajoso gastar dinheiro na Avianca para conseguir status na Star Alliance –  mas sabendo que a quantidade de pontos necessários para resgates pode ser absurda –  é da opinião pessoal de cada um.

Lifemiles

Para aqueles que se sentem indignados com os recentes acontecimentos do Amigo, o outro programa da Star Alliance que pode interessar aos brasileiros é o Lifemiles. Abaixo, a tabela com as regras do programa:

Observem que, para alcançar status com o Lifemiles é necessário voar no mínimo 5.000 milhas com a Avianca Internacional para ser Silver e 10.000 milhas para ser Gold. Isso implica em passar por Bogotá pelo menos 3 vezes ao ano para qualificar, caso o seu destino final seja Miami ou duas vezes caso seja NY.

Para o passageiro frequente que viaja em trechos domésticos no Brasil, as milhas elite são calculadas em função da distância e da tarifa. As mais baratas pontuam apenas 50%, sendo que há um piso de 500 milhas/trecho.

Comparando Lifemiles e Amigo, em termos de qualificação na Star Alliance, para passageiros frequentes que voam predominantemente em trechos domésticos no Brasil, o Amigo é melhor para obter status. Entretanto, a tabela de resgates do Lifemiles é muito melhor do que a do Amigo.

Conclusão

Na minha opinião, o passageiro frequente que voa doméstico tem duas opções: Smiles e Amigo. O Smiles atende a mais rotas e os preços praticados pela GOL geralmente são mais competitivos do que os praticados pela Avianca. Entretanto, o status Diamante não traz tantos benefícios com as parceiras, já que o Smiles não pertence a uma aliança.

O Amigo, por sua vez, permite a aquisição de status Gold na Star Alliance por um valor razoável, o que é um grande benefício. Mas a tabela de resgates é sofrível. Uma pena para o programa que até recentemente era o melhor do Brasil, na minha opinião.

O que vocês acham das ponderações desse post? Concordam? Discordam? Têm algo a acrescentar? Hit the comments!

OBS: Eu já havia publicado um post sobre o melhor programa da Oneworld para brasileiros (clique aqui para ler). Na semana que vem falarei dos programas da Star Alliance.