Finalmente cheguei ao último post do tutorial do AAdvantage. Nesse post vou falar sobre questões relativas ao roteamento em bilhetes emitidos com milhas e vou concluir a série.

Em primeiro lugar, o que eu quero dizer com “roteamento”? O AAdvantage possui regras quanto as rotas possíveis de emissão com milhas, as chamadas routing rules, assim como há exceções a essa regra. Explicá-las-ei com mesóclise. 🙂

Regras de Roteamento

1. É obrigatório que a transportadora que faz um voo sobre a água  (provavelmente aquela com o trecho mais longo do bilhete) venda passagens entre a origem e o destino. Por exemplo, eu quero emitir uma passagem com milhas entre Nova York e Ljubliana. Entretanto, nenhuma das empresas OW que voam entre Estados Unidos e Europa vendem esse bilhete. Logo, não é possível emitir esse bilhete.

2. Não é possível voar de uma Região A para uma Região B passando pela Região C. Ou seja: não é possível ir dos EUA para a Europa via África, pois há voos diretos entre o continente de origem e destino, e também é a rota mais curta. Mas aguardem que há exceções à regra que eu explicarei mais à frente. Abaixo, segue a tabela com as regiões do AAdvantage:

3. O AAdvantage não permite stopovers. ;( mas é possível emitir one-way 🙂

4. Não é possível emitir um bilhete que exceda 125% do MPM (maximum permitted mileage). O MPM é uma regrinha que visa coibir a emissão de bilhetes com rotas mirabolantes. Para variar um pouco, é no ExpertFlyer, mediante assinatura, que a gente pode saber se a rota que a gente quer fazer excede em 25% o MPM. Para conhecer o ExpertFlyer, eu tenho um tutorial aqui e aqui.

Então, primeiro vá no menu à esquerda da tela e clique em Travel Information:

Depois, vá na aba Max Permitted Mileage e coloque o código dos aeroportos de origem e destino. Eu coloquei Hong Kong entre Nova York e Singapura porque quero voar com a Cathay, que é a única empresa que faz JFK-HKG. Mas eu poderia ter colocado só JFK-SIN e ter voado com a AA e a JAL, por exemplo.

Em seguida, o sistema dá o resultado, que eu vou explicar. Na coluna GI o AT significa Atlântico e o PA significa Pacífico, referindo-se, obviamente aos oceanos que separam, via aérea, JFK de SIN. O M informa o total de milhas do trajeto e o 25M, o excesso de 25% permitido.

De acordo com a regrinha 2, não é possível ir dos EUA para a Ásia via Europa (pelo Oceano Atlântico), uma vez que há possibilidade de voos via Pacífico sem passar por uma terceira região. Então, a distância de 11.512 milhas não excede as possíveis 14.390 do 25M. Logo, a minha rota pretendida é possível. Entenderam?

Agora, há inúmeros relatos no FlyerTalk em que essa regrinha não foi observada pelo AAdvantage e as pessoas conseguiram emitir bilhetes excedendo os 125%.

Exceções às Regras de Roteamento

A regrinha número 2 contém inúmeras exceções. Vou dar um exemplo e depois colocar uma tabelinha para vocês.

Eu quero ir da Europa para a Austrália. Hoje em dia, é impossível fazer isso sem ser obrigada a ter uma escala. Assim, o AAdvantage permite que eu faça uma escala no Oriente Médio, na Ásia 1 ou na Ásia 2.

Observação: na tabela do AAdvantage, é possível emitir Europa – Pacífico Sul com as escalas acima por 60.000 milhas na econômica, 85.000 na executiva e 115.000 na primeira classe. Mas isso só é válido para as parceiras da OW! Para emitir com a Etihad são necessários dois prêmios diferentes: Europa – Oriente Médio e Oriente Médio – Austrália. A mesma coisa acontece nas rotas entre Europa e Ásia: é possível fazer uma escala no Oriente Médio com a Qatar, usando a tabela direta. Com a Etihad, vão ser usadas as tabelas Europa – OM + OM – Ásia.

*Viagens via Hong Kong entre a América do Norte e o sub-continente indiano só podem ser feitas com a AA e/ou com a Cathay.

** Só pode haver trânsito em Doha se ambos os voos de chegada e partida da cidade forem operados pela Qatar Airways.

CONCLUSÃO

1 – O AAdvantage é um programa muito bom para quem voa bastante, pois seus grandes benefícios vêm com o status.

1.1 – Os SWU são excelentes. Com sorte, é possível fazer 2 viagens ao ano para a Ásia pagando econômica e voando em executiva.

1.2 – Os ExP têm acesso ao The Pier em HKG, um dos melhores lounges do mundo, mesmo voando em econômica. Isso vale para todos os lounges de primeira classe da OW, excluindo alguns da Qatar e da British.

1.3 – Cancelamento e mudança de bilhetes emitidos com milhas sem qualquer custo para os ExP.

2 – Os brasileiros têm cartão de crédito cobranded com a AAdvantage via Santander.

3 – Além do Santander, não há outros cartões de crédito com parceria com a AA; nem o Livelo.

4 – Quem tem milhas no AAdvantage via cartão de crédito (sem status) pode se beneficiar de resgates muito interessantes (vide o post Melhores Resgates do AAdvantage).

5 – O programa desvalorizou sua tabela em meados de 2015, mas avisou seus clientes com 6 meses de antecedência mostrando a futura tabela. #ficaadicaTAPVictoria

6 – O novo método de acúmulo de milhas via gastos – válido para a Delta e United, e que está contaminando o mundo, vide LATAM Fidelidade, Flying Blue, Miles & More e, futuramente, o BAEC – é frustrante …

7 – Infelizmente, algumas emissões com as parceiras têm que ser feitas via call center, pesquisando no site da British Airways antes (clique aqui para um tutorial sobre como pesquisar disponibilidade na Oneworld).

8 – O call center americano funciona bem.

Bom, espero que vocês tenham aproveitado bastante desse tutorial. Acho que dei um panorama simultaneamenta abrangente e aprofundado do programa.

Bons voos para todos nós!